Luciara Melo Peixoto, 43 anos, vive na Suíça há duas décadas, onde desenvolve trabalho como psicoterapeuta e escritora, a acompanhar, sobretudo, emigrantes de língua portuguesa que procuram apoio emocional e desenvolvimento pessoal.
Formada e especializada em áreas ligadas ao desenvolvimento pessoal, Luciara exerce atualmente funções como reprogramadora mental, com especialização em Programação Neurolinguística (PNL) e ThetaHealing, trabalhando de forma independente no atendimento terapêutico.
Em declarações ao Gazeta Lusófona, esta profissional explicou que o seu percurso foi moldado pelas necessidades que encontrou na comunidade emigrante, até porque, quando chegou ao país, “era difícil encontrar profissionais que atendessem em português”.
“Quando cheguei aqui não tinha terapeuta ou psicóloga de língua portuguesa. Era muito difícil encontrar”, contou.
Uma dificuldade que acabou por motivar uma mudança importante na sua vida profissional. Luciara decidiu investir na formação e dedicar-se à psicoterapia com o objetivo de “apoiar emigrantes que enfrentavam desafios semelhantes”.
“Este foi um dos motivos que me levou a ser psicoterapeuta na Suíça, para auxiliar os emigrantes. Hoje, posso atender a nossa comunidade e ajudar”, afirmou.
Ao longo dos anos, Luciara construiu um percurso marcado pela dedicação ao acompanhamento emocional de portugueses e brasileiros residentes no país helvético. Através de sessões terapêuticas, workshops e programas de imersão, tem procurado ajudar os seus clientes a alcançar maior equilíbrio emocional e desbloquear crenças que possam limitar o seu desenvolvimento.
“O meu trabalho é servir pessoas, ajudando a ter equilíbrio e a desbloquear as suas crenças”, explicou.
Com o tempo, conseguiu também criar o seu próprio espaço de trabalho na cidade de Berna. A terapeuta destaca que a conquista representa um marco importante no seu percurso profissional.
“Tenho um espaço, uma sala linda, conquistada com muita paciência, foco e fé”, referiu, acrescentando que hoje sente um grande orgulho no trabalho que desenvolve junto da comunidade lusófona.
No plano pessoal, Luciara construiu também a sua família na Suíça. É casada há 19 anos com um cidadão português e o casal tem um filho de 17 anos. A ligação à comunidade portuguesa faz parte do seu quotidiano, até porque muitos dos seus clientes são portugueses residentes no país.
Segundo contou, os portugueses são, de forma geral, bem recebidos na Suíça e existe uma convivência positiva entre as diferentes comunidades.
“Convivo muito bem com os portugueses e tenho muitos clientes portugueses”, afirmou, apesar de revelar que “não frequenta associações portuguesas”, mas “mantém uma ligação próxima com Portugal, sobretudo através da família do marido, que vive na região do Porto”.
Sempre que regressa ao país, descreve o momento como emocionalmente especial.
“Adoro Portugal. Quando estou por lá tenho um sentimento de estar em casa”, partilhou. Apesar dessa ligação afetiva, a família não pensa em mudar-se para Portugal de forma permanente, optando por visitar o país sobretudo durante as férias.
“Na Suíça amadureci, casei, tive o meu filho, fiz os meus cursos e conquistei um espaço importante para a nossa comunidade”, enfatizou esta terapeuta, que acredita que o país representa “equilíbrio e expansão”, permitindo-lhe conviver com pessoas de diferentes culturas e ampliar a sua visão do mundo.
Sobre as diferenças que identifica entre Portugal e a Suíça, destaca a forma como as pessoas se relacionam. Enquanto considera que os portugueses são mais “acolhedores”, refere que na Suíça as pessoas tendem a ser mais “frias”.
Ainda assim, depois de quase duas décadas no país, a língua deixou de ser um obstáculo no seu quotidiano, ao mesmo tempo que reconhece que a saudade continua a fazer parte da vida de muitos emigrantes.
“Sinto que os portugueses e brasileiros que moram aqui têm muita saudade no coração”, afirmou Luciara, que, ao olhar para o futuro, diz querer “continuar a expandir o seu trabalho e chegar a mais pessoas através da terapia e do desenvolvimento pessoal, pelo que o objetivo passa por ajudar cada vez mais emigrantes a encontrar equilíbrio emocional e melhorar a sua qualidade de vida”.
“Toda a pessoa que é emigrante terá dias difíceis, mas nunca se esqueça: tudo vale a pena. Esse percurso é preciso”, afirmou Luciara, que sublinhou que a perseverança foi determinante para alcançar os seus objetivos.
“Se hoje sou escritora e psicoterapeuta foi porque nunca desisti. Trabalhei duro, estudei muito e investi no meu sonho”, sublinhou a terapeuta natural de Araguaçu, no Estado de Goiás, no Brasil.
“Seja grato e confie no processo da vida”, concluiu, deixando uma mensagem de esperança para todos aqueles que procuram construir o seu caminho fora do país de origem.
Ígor Lopes





