Um dispositivo de reconhecimento simbólico implementado pelo cantão torna visível uma história que muitas vezes ficou à margem da narrativa coletiva.
Os portugueses constituem a segunda maior comunidade estrangeira no cantão de Genebra, a seguir aos franceses. Estão presentes em todas as esferas da sociedade há várias décadas, mas a sua história é ainda pouco conhecida e as suas contribuições pouco reconhecidas. Partindo desta constatação, o Bureau de l’Intégration (BCI) lançou “Notre História”, que visa dar visibilidade às comunidades portuguesas, cuja forte presença moldou profundamente o rosto do cantão de Genebra.
Fruto de um processo participativo que envolveu associações, sindicatos, artistas, investigadores e a representação consular portuguesa, o projeto “Notre História” foi apresentado publicamente no dia 30 de março, numa cerimónia que decorreu no Conversatório de Genebra. Nessa ocaisão, o conselheiro de Estado Thierry Apotheloz salientou que “a história dos portugueses faz parte integrante da história de Genebra”. Por sua vez, Alfonso Gomez, presidente da Câmara de Genebra, quis “agradecer a valiosa contribuição dos portugueses e reafirmar que a riqueza de uma cidade se constrói com base nas experiências, tradições e culturas daqueles que a habitam”.
Até ao final de junho, é possível descobrir a cidade sob outra perspetiva, percorrendo um itinerário em onze etapas. Em cada uma, um cartaz, abordando temas tão diversos como a língua e a cultura, o exílio e a política, as associações e a cidadania, o desporto, o lazer e as festas, a educação, a gastronomia, os trabalhadores sazonais e a mobilização sindical, o trabalho feminino, a ciência ou ainda a Igreja. Uma 12.ª etapa aborda o tema do regresso a Portugal, com um cartaz que será afixado em Lisboa.
Além destes doze locais emblemáticos, foi lançada uma série de podcasts, um jornal e uma página na internet, onde estão disponíveis todos os materiais e serão anunciados vários eventos que decorrerão até junho. Por exemplo, poderão ver o documentário Les mains invisibles, de Hugo dos Santos, no Cinémas du Grütli, no dia 24 de abril, às 21h.
Mais informações em https://notre-historia.ch
Texto e Fotografia
Liliana Azevedo, socióloga





