A Suíça reúne um dos mercados de trabalho mais sólidos da Europa, mas enfrenta uma transformação que está a alterar as prioridades das empresas na área dos Recursos Humanos.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) identifica taxas de emprego elevadas e desemprego comparativamente baixo, ao mesmo tempo que alerta para a crescente escassez de trabalhadores e de competências, uma realidade que tende a assumir carácter estrutural devido, entre outros fatores, ao envelhecimento da população. Para Pedro Ramos, especialista português em Liderança, Gestão de Pessoas e Transformação Organizacional, esta conjuntura reforça a necessidade de as empresas ligarem estratégia, cultura organizacional, qualificação e desenvolvimento humano. A sua visão parte de um princípio que tem acompanhado o seu percurso profissional: “liderar é cuidar”, colocando as pessoas no centro da estratégia empresarial.
Esta discussão ganha dimensão particular quando observada a presença lusófona na Suíça. Dados atualizados pelo Observatório da Emigração, com base no Office Fédéral de la Statistique, indicam que, em 2025, residiam no país 258.139 cidadãos de nacionalidade portuguesa, equivalentes a 8,6% da população estrangeira contabilizada naquele indicador. No mesmo ano, 202.816 residentes tinham nascido em Portugal. As autoridades suíças classificam a comunidade portuguesa como a terceira maior comunidade estrangeira do país e reconhecem o seu contributo para a sociedade e para a economia helvética. O português ocupa ainda uma posição relevante no quadro linguístico suíço. Esta presença histórica constitui também uma base para empresas e profissionais ligados a um espaço lusófono que se estende ao Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde e outros mercados de língua portuguesa.
É neste contexto que Pedro Ramos considera, em declarações ao Gazeta Lusófona, que “as empresas lusófonas instaladas na Suíça, ou interessadas em entrar neste mercado, devem tratar a Gestão de Pessoas como parte da própria estratégia de internacionalização”. Doutorado em Economia de Empresa, mestre em Sociologia do Emprego, professor universitário e CEO da Dale Carnegie Portugal, acumula mais de 30 anos de experiência em liderança e Recursos Humanos. A sua abordagem procura ligar práticas internacionais às características culturais das organizações lusófonas, trabalhando matérias como liderança, comunicação, gestão da mudança, desenvolvimento de competências, confiança, responsabilidade individual e compromisso das equipas.
“O futuro do mundo lusófono depende de líderes capazes de integrar pessoas, propósito e desenvolvimento económico”, sustentou Pedro Ramos, que apontou “ética, confiança, inclusão, diversidade cognitiva e desenvolvimento contínuo como componentes da gestão organizacional”.
Para as empresas lusófonas na Suíça, o desafio passa igualmente pela capacidade de compreender um mercado multicultural, multilingue e com procura crescente de competências. A recomendação de Pedro Ramos é que a “gestão de talento não fique limitada ao recrutamento ou à resposta administrativa”. Integração de trabalhadores, formação das lideranças, retenção de profissionais, comunicação entre culturas, preparação para a mudança tecnológica e construção de equipas capazes de funcionar em diferentes geografias passam a integrar o mesmo quadro de gestão.
Segundo este especialista, modelos de desenvolvimento como o utilizado pela Dale Carnegie “procuram produzir alterações comportamentais aplicadas ao quotidiano das organizações, com foco na confiança, comunicação, responsabilidade e liderança”.
O percurso internacional recente de Pedro Ramos tem acompanhado este debate. A 8 de julho esteve ligado ao “Carreira International Summit 2026”, em Luanda, dedicado ao futuro do trabalho, liderança e Gestão de Pessoas. Nos dias 24 e 25 do mesmo mês participou no “Human Leaders International Congress 2026”, na Universidade de Cabo Verde, na Praia, encontro que reuniu responsáveis empresariais, académicos e especialistas para discutir liderança humanizada, tecnologia, inclusão, sustentabilidade e capital humano. Em agosto, participou ainda no CONARH 2026, realizado de 18 a 20 de agosto no São Paulo Expo, no Brasil. Promovido pela ABRH Brasil, o congresso reuniu mais de 120 palestrantes e mais de 300 expositores e colocou na agenda temas como inteligência artificial, liderança, saúde mental, inovação, desenvolvimento de pessoas e novas formas de trabalho.
Pedro Ramos foi distinguido, em 2026, com o “People Management Legacy Award”, nos Global Excellence & Leadership Awards, em Singapura, depois de ter recebido, em 2025, o título “People Transformation CEO of the Year”, nos Burj CEO Awards, no Dubai, além de outros prémios ligados à liderança e Gestão de Pessoas.
Na sua opinião, contudo, “a agenda das organizações deve permanecer centrada na capacidade de transformar conhecimento em práticas de gestão”. Num país como a Suíça, onde uma comunidade portuguesa com mais de 250 mil cidadãos convive com profissionais de múltiplas origens e onde a disponibilidade futura de talento constitui uma questão económica, a proposta passa por ajudar empresas lusófonas a estruturar políticas de pessoas compatíveis com os padrões do mercado helvético sem perder a capacidade de compreender as culturas onde nasceram.
Ígor Lopes





