Os ranchos folclóricos portugueses, enquanto guardiões de um património cultural imaterial, desempenham um papel crucial na diáspora, funcionando como elos vivos entre as comunidades emigrantes e as suas raízes em Portugal.
De índole puramente altruista, estes grupos têm uma multifacetada importância na preservação da cultura popular portuguesa e na sua transmissão eficaz de geração em geração, contribuindo para a manutenção da identidade lusitana.
Os ranchos folclóricos são mais do que meros grupos de dança e canto; são instituições dedicadas à recolha, preservação, recriação e divulgação de tradições ancestrais. Através de um rigoroso trabalho etnográfico, estes grupos empenham-se em documentar e replicar danças, cantares, trajes, usos e costumes das diversas regiões de Portugal. Esta dedicação assegura que manifestações culturais que poderiam, de outra forma, desaparecer, permaneçam vivas e acessíveis, mesmo em ambientes urbanos ou geograficamente distantes da sua região.
Um dos pilares fundamentais da atuação dos ranchos folclóricos na diáspora é a transmissão intergeracional do saber cultural. Estes grupos servem como espaços de convivência e partilha, onde os membros mais velhos, detentores de um vasto conhecimento das tradições, ensinam e inspiram as gerações mais jovens. Através de ensaios, oficinas e performances, crianças e adolescentes são introduzidos às danças, músicas e histórias que compõem a herança cultural portuguesa. Este processo não só incute um sentido de pertença e orgulho nas suas origens, mas também garante a continuidade das tradições para o futuro.
Para além da preservação e transmissão, os ranchos folclóricos desempenham um papel vital na construção e fortalecimento da comunidade portuguesa na diáspora. Ao reunir pessoas de diferentes idades e origens em torno de um objetivo comum, promovem valores como a solidariedade, o respeito pelo passado e a valorização do coletivo. Os trajes, as danças e os cantares reforçam a identidade local e nacional, transformando cada grupo num símbolo da região que representa e, por extensão, de Portugal no estrangeiro. Estes centros culturais tornam-se pontos de encontro essenciais, combatendo o isolamento e fomentando laços sociais duradouros entre os emigrantes e os seus descendentes.
Os ranchos folclóricos portugueses na diáspora são pilares insubstituíveis na manutenção das raízes culturais e na transmissão da identidade portuguesa através das gerações. A sua actuação vai além do espetáculo, englobando um profundo trabalho etnográfico, pedagógico e social que fortalece os laços comunitários e assegura que a riqueza do folclore português continue a florescer longe da sua terra natal. A vitalidade destes grupos é um testemunho da resiliência e do orgulho da comunidade portuguesa em preservar a sua herança cultural para as futuras gerações.
Hoje trazemos o Rancho Sons de Portugal de Genève do qual o seu actual presidente, Miguel Gaspar, nos faz a apresentação.
O Rancho Folclórico Sons de Portugal foi fundado a 7 de junho de 2014 por um grupo de amigos. Eu sou um dos membros fundadores. Somos mais ou menos 50 elementos e actuamos principalmente na Suíça mas também nos países vizinhos, França, Luxemburgo, assim como em todas as regiões de Portugal continental e ilhas. Os estatutos estipulam que deve haver eleições para a direcção todos os dois anos para que haja renovação de ideias e sangue novo, ser dirigente associativo é desgastante e, a longo termo, a vida pessoal é sacrificada, temos de distribuir o mal pelas aldeias. Hoje temos no nosso grupo representantes de três gerações, temos conseguido incutir nos mais novos o gosto pelas nossas raízes ea nossa cultura que manifestamos através da dança. É reconfortante e motivo de orgulho. São avós, depois os filhos e agora os netos, várias famílias que se revezam. Além da dança é um espaço de aprendizagem, igualmente, da nossa lingua, costumes e, fundamentalmente, do espirito de ser português mesmo que os mais novos tenham nascido em terras helvéticas. Felizmente temos muitos jovens que só falam francês e que connosco começam a aprender o português e a criar laços de amizade. E para nós é muito importante. Como já referi, viajamos por vários países, nomeadamente Suíça, é claro, França, Luxemburgo, Portugal, Liechtenstein. Fazemos igualmente viagens de lazer todos os anos como forma de cimentar o espírito de grupo, de partilha. Este ano fomos ao La Palle, em França. A nível de eventos, festejamos o nosso aniversário com uma festa, que é sempre por volta do 7 de junho onde, para além do nosso grupo convidamos sempre outro grupo para nos juntar na celebração desta data tão importante. Temos também todos os anos o Festival, que é nos meados de novembro, onde convidamos vários grupos locais e alguns oriundos da diáspora portuguesa. De seguida fazemos sempre vários convívios, um piquenique anual, a nossa Festa de Natal no princípio de dezembro, com um programa onde se inclui teatro, magia, atuações e, como bons portugueses, organizamos torneios de cartas, e uma vez ou outra, torneios de futebol.
Procuramos manter a “nossa familia” com vontade e prazer de pertencer a um grupo onde a partilha, a amizade e entreajuda é parte fundamental de pertença a uma alma comum, a alma portuguesa.
No próximo dia 13 comemoramos o nosso 12° aniversário numa Festa que esperamos ser como todas as outras, um momento de alegre convívio. Ficam todos convidados..
Ilídio Morgado





