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Home Cultura / Arte

RTP vai estrear uma série documental sobre portugueses da Suíça

admin by admin
22/09/2026
in Cultura / Arte
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A RTP vai estrear nas próximas semanas uma série documental com 4 episódios intitulada “O extraordinário percurso da comunidade portuguesa da Suíça” produzida pela Aniki Media Productions e realizada por Carlos Pereira. Trata-se da segunda série de documentários produzidos pela mesma equipa, depois da série sobre a comunidade portuguesa de França.
Carlos Pereira foi Presidente do Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Portuguesas até 2008. Desde 2004 é jornalista, dirige o LusoJornal – o jornal mais lido pelos portugueses de França – e trabalha há cerca de 20 anos para programas da RTP Mundo, antiga RTP Internacional (RTPi Notícias, Europa Contacto, França Contacto e Hora dos Portugueses). Fez centenas de reportagens em França, Andorra, Mónaco, Bélgica, Países Baixos e Alemanha.
A série “O extraordinário percurso da Comunidade portuguesa da Suíça” divide-se em 4 episódios de 52 minutos cada um: sobre associações, participação cívica e política, empresários e cultura.
O jornal Gazeta Lusófona entrevistou o realizador da série.

Como surge esta série de documentários sobre os Portugueses da Suíça?
Esta série surge no seguimento de uma série que produzi para a RTP sobre os Portugueses de França. Na verdade, eu ainda tinha mais assuntos a desenvolver em França, mas a RTP lançou-me este desafio que partir à descoberta de outras comunidades, a começar pela Suíça e eu aceitei o desafio.

Foi fácil trabalhar num país como a Suíça?
Eu tenho trabalhado essencialmente em França, mas interesso-me particularmente pelos assuntos relacionados com as comunidades portuguesas em geral. Tenho uma visão global da emigração espalhada pelo mundo. Mas é verdade que nunca tinha trabalhado na Suíça. Tive de ler muito, e aqui, permita-me que felicite o trabalho da Gazeta Lusófona, que me permitiu identificar alguns dos interlocutores e compreender situações. Depois, percebi que a Suíça é, no fundo, um conjunto de 26 Cantões, todos diferentes, e o que é válido num dos Catões, pode não ser no outro.

Quanto tempo demorou a realizar esta série?
Trabalhei cerca de 7 meses no terreno, viajando várias vezes entre a França, onde resido, e a Suíça. Filmei quase 80 entrevistas. Mas, evidentemente, passei muito mais tempo a ler, a recolher informações e a contactar amigos, antes de começar a filmar. Depois, passei muito tempo a montar, claro, com a equipa que me rodeia. Estes projetos não podem, na minha opinião, serem feitos em duas semanas! É necessário perceber o que estamos a fazer.

O primeiro episódio é sobre associações. O que vai contar de novo?
Não pretendo contar nada de novo. Pretendo dar uma imagem do que é o movimento associativo português na Suíça. Visitei associações mais tradicionais, e associações mais recentes e menos convencionais, da Casa Benfica de Genebra, ao Centro Lusitano de Zurique, do Atletismo Viseu Genebra ao à Radio Arremesso ou à Missão Católica, do Grupo folclórico de Fribourg à Tuna Helvética, da Confraria dos Saberes e Sabores à associação LusoSanté do pessoal médico ou à Agraps, a associação dos Graduados portugueses que filmei no CERN, em Genebra. Seria impossível entrevistar as mais de 80 associações de portugueses na Suíça em 52 minutos, tento mostrar a diversidade. Contei com a colaboração importante do Presidente da Federação das Associações Portuguesas, António Cunha, para comentar este movimento associativo.

E sobre a participação cívica, quem entrevistou?
Este era um episódio que devia falar sobretudo da intervenção política, mas depois descobri, à medida que os meses foram passando, que os portugueses têm um peso importante no setor sindical, então desenvolvi este aspeto, com o António Guerra Iria e o José Sebastião da UNIA. Calhou bem porque constatei precisamente as greves de outubro que paralisaram Genebra.

Então não abordou a participação política?
Claro que sim, através da forma como estão organizados os Partidos políticos portugueses na Suíça (PS, PSD, PCP e Chega) e depois abordei a forma como os portugueses binacionais se implicaram nas estruturas políticas na Suíça, enquanto Conselheiros municipais, Presidentes da Assembleia municipal, Presidentes de Câmara e até enquanto Deputados. Este é um movimento que está a ganhar velocidade em certos Cantões (não em todos) e tende a crescer. Mas entrevistei também o Presidente (na altura) do Governo do Cantão de Genebra, que está muito próximo de Portugal, por laços matrimoniais.

E no episódio sobre empresários, o que mostrou?
Penso ter neste episódio três dos maiores empresários portugueses da Suíça: António Teixeira, José Manuel Fonseca e Paulo Calçada, mas interessei-me também por empresas bem mais pequenas como a marca de chocolates Jorge Cardoso, dois restaurantes interessantíssimos em Berna (Le Commerce e Büner), um importador e distribuidor de vinhos (Lusitânia), terminando numa rede de clínicas portuguesas em Genebra, uma nova área de empreendedorismo português na Suíça. A colaboração de Marina Prévost-Mürier, Presidente da Câmara de comércio, indústria e serviços Suíça-Portugal foi fundamental para ajudar a perceber esta área empresarial.

Ficou para o fim o episódio sobre cultura…
Para dizer a verdade, foi o episódio que mais me surpreendeu. Eu estava a preparar-me para começar com uma abordagem do ensino de português na Suíça, mas tive – com muita pena minha – que deixar de lado essa área importantíssima, porque descobri gente muito interessante, desde o compositor Bruno Dias, autor de vários sucessos, a jornalista e escritora Charlotte Frossard, que trabalha na RTS e escreveu um belíssimo livro sobre as suas raízes portuguesas, até à escritora Susana Teixeira que mora no cantão de Schwyz – dos três livros que escreveu, um deles é um bestseller. Sem esquecer o realizador Basil da Cunha, a fotógrafa Carla da Silva, o escultor Telmo Guerra e o organizador de eventos musicais Manuel Santiago… Foi mesmo muito interessante.

A ideia era dar a conhecer um universo ainda desconhecido?
Claro que os Portugueses da Suíça, quando virem esta série, vão identificar gente que já conhecem. Talvez desconheçam alguns, mas conhecerão outros. Mas eu não me posso esquecer que esta é uma série para ser difundida na RTP1, para portugueses que estão em Portugal e esses – tenho a forte convicção – não conhecem praticamente nenhuns. Quem sabe, em Portugal, que a Diretora do famoso Château Chillon é a portuguesa Marta dos Santos? Quem sabe que o Diretor da Casa-Museu Voltaire é o português Flávio Borda d’Água?

Teve algum momento mais negativo durante este projeto?
Para dizer a verdade, fui incomodado duas vezes, por duas pessoas diferentes. Uma, quando soube que eu estava a trabalhar para a RTP, começou a insultar quem trabalha no canal. Consegui falar com o senhor e explicar-lhe que a RTP é o canal que mais tem falado de emigração na televisão portuguesa. Talvez as pessoas não saibam, mas programas como a “Hora dos Portugueses”, o “Portugueses pelo Mundo” ou o “Portugal no Mundo”, são programas que passam na RTP1. Não é uma reportagem de vez em quando, é uma presença regular. Não são unicamente programas para a RTP Mundo, são programas para Portugal. Quando eu expliquei isto ao senhor, ele acabou por compreender, mesmo se não acredito que tivesse mudado de opinião em relação ao serviço público de televisão. Mesmo se eu lhe expliquei que nenhum dos canais privados fez séries como esta com 4 horas de programas sobre uma comunidade. A RTP faz porque é serviço público.

Então, e o outro momento?
O outro momento foi antes das eleições Presidenciais portuguesas, quando um senhor teimou comigo que o Consulado de Zurique não estaria aberto para recolher os votos dos emigrantes. Eu dizia-lhe que sim, ele explicava-me que não, e fiquei a perceber que há muito pouca informação a circular na Suíça, e as pessoas acreditam em qualquer notícia falsa que apareça. Contra isso, não tenho solução e, por isso, o senhor ficou com a ideia dele. Espero que ele tenha ido votar e compreendido que eu tinha razão.

Mas também houve momentos agradáveis?
Claro que sim. Todos os outros momentos foram muito agradáveis. As autoridades portuguesas acolheram-me com respeito e simpatia, desde o Embaixador de Portugal aos dois Cônsules-Gerais, de Genebra e de Zurique, até ao conjunto das pessoas que entrevistei. Eu adoro conhecer gente nova e converso sempre muito quando foi fazer uma entrevista. Porque considero que é necessário perceber as situações. Adorei fazer esta série na Suíça, fui a muitas cidades, mas lamento não ter ido à “parte italiana”. Espero agora que os espectadores também apreciem e, quem sabe, haverá mais séries destas…

E agora? Qual é o próximo projeto?
O meu trabalho sobre a Suíça já terminou antes do verão, estamos agora à espera que a Direção da RTP determine as datas de difusão. Mas eu já estou a trabalhar numa outra série, sobre os Portugueses do Luxemburgo. Vai ser “O Extraordinário percurso da comunidade portuguesa do Luxemburgo”. Já estamos na fase de filmagens. Lá para o início do próximo ano deve poder ser vista, na RTP1 e na RTP Mundo.
Adélio Amaro

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