Aos 65 anos, João Manuel Veríssimo Marques da Cruz tem hoje novos desafios no seu percurso profissional desenvolvido entre Portugal e mercados internacionais. Português, residente em Lisboa, é atualmente administrador executivo da Fundação António Pargana, função que assumiu em setembro de 2026 com a missão de desenvolver novas áreas de atuação e projetos, dando continuidade ao trabalho de aproximação entre Portugal e a diáspora.
A experiência acumulada em setores como energia, aviação e internacionalização empresarial surge agora aplicada a uma agenda centrada nas comunidades portuguesas no estrangeiro e, em particular, nas novas gerações de lusodescendentes.
Licenciado em Gestão pelo Instituto Superior de Economia da Universidade Técnica de Lisboa, complementou a formação com um Executive MBA em Gestão e uma pós-graduação em Marketing e Gestão de Companhias Aéreas, realizada na Universidade de Bath, no Reino Unido. Ao longo de mais de duas décadas em funções de liderança executiva, passou por organizações como a TAP Air Portugal, Air Luxor, AICEP Portugal Global e Grupo EDP, com responsabilidades nas áreas da gestão, transportes, energia e internacionalização. Na EDP, integrou o Conselho de Administração Executivo e viria a assumir a liderança da EDP Brasil, cargo que exerceu entre 2021 e 2025, num percurso orientado para a criação de valor, eficiência operacional e desenvolvimento sustentável dos negócios.
Na Fundação António Pargana, João Marques da Cruz transporta essa experiência para um trabalho que procura reforçar as ligações entre Portugal e os portugueses espalhados pelo mundo. Educação, empreendedorismo, inovação, atração de talento e criação de redes entre universidades, empresas e instituições integram os eixos abordados nesta entrevista. Em entrevista exclusiva ao Gazeta Lusófona, este administrador executivo analisa também o papel que comunidades como a portuguesa residente na Suíça podem desempenhar na ligação do país a centros internacionais de conhecimento, investimento e inovação, explica os projetos dirigidos aos lusodescendentes e aborda o futuro Museu da Emigração e Diáspora Portuguesa, pensado como ponto de encontro desta rede global.
Qual é hoje o trabalho realizado pela Fundação?
A Fundação António Pargana trabalha para reforçar os laços entre Portugal e a sua diáspora, com especial atenção às novas gerações de lusodescendentes. Desenvolvemos programas com universidades que aproximam estes jovens da realidade portuguesa, das suas instituições, empresas, cultura, ciência e inovação. Estamos também a construir novas formas de ligação à diáspora, dentro e fora de Portugal.
Que papel estratégico pode a diáspora portuguesa, incluindo a comunidade residente na Suíça, desempenhar no desenvolvimento económico, científico e social de Portugal nas próximas décadas?
A diáspora é uma extraordinária rede global de talento, conhecimento, influência e oportunidades. Comunidades como a portuguesa na Suíça podem aproximar Portugal de centros de conhecimento, empresas, investimento e inovação. O grande desafio é criar pontes que permitam transformar esse enorme capital humano e relacional em oportunidades concretas para Portugal e para a própria diáspora.
Como pode Portugal reforçar a ligação dos jovens lusodescendentes ao país, sobretudo entre aqueles que já nasceram no estrangeiro e constroem a sua identidade entre duas culturas?
Temos de lhes dar a conhecer o Portugal de hoje. A ligação ao país não pode viver apenas da memória ou da origem familiar; deve construir-se através de experiências, conhecimento, relações e oportunidades. É essencial aproximar estes jovens de um Portugal contemporâneo, dinâmico e aberto ao mundo, criando uma relação que se mantenha viva ao longo das gerações.
Que oportunidades académicas, profissionais e empresariais pode Portugal oferecer aos portugueses e lusodescendentes residentes na Suíça, e o que falta fazer para transformar esse potencial em projetos concretos?
Portugal tem universidades, empresas, centros de conhecimento e setores altamente competitivos que podem interessar às novas gerações da diáspora. O que falta, muitas vezes, é tornar essas oportunidades mais visíveis e criar redes que aproximem pessoas e instituições. É necessário facilitar esse encontro entre talento, conhecimento, empresas, investimento e oportunidades.
De que forma a Fundação António Pargana pretende criar pontes entre Portugal e as comunidades portuguesas no estrangeiro, nomeadamente através da educação, do empreendedorismo, da inovação e da atração de talento?
Queremos trabalhar nos dois sentidos: aproximar a diáspora de Portugal e levar Portugal às comunidades portuguesas no mundo. Estamos a desenvolver formação à distância, programas presenciais no estrangeiro e uma Rede Alumni global, em colaboração com universidades, empresas e instituições. E queremos que o futuro Museu da Emigração e Diáspora Portuguesa seja o grande ponto de encontro de toda esta rede.
A atribuição do prémio Empresário da Diáspora a António Pargana, no âmbito do Portugal Nação Global reconhece o trabalho desenvolvido junto das comunidades portuguesas. Que impacto poderá esta distinção ter na missão da Fundação e na mobilização de empresários da diáspora para projetos ligados a Portugal?
António Pargana sentiu-se profundamente honrado com esta distinção, que reconhece um percurso que é, ele próprio, um exemplo de empreendedorismo na diáspora. Foi precisamente essa experiência, e a sua forte ligação a Portugal, que o levou a criar a Fundação. Este reconhecimento reforça a nossa missão e pode inspirar outros empresários da diáspora a colocar a sua experiência, redes e conhecimento ao serviço de uma relação mais próxima com Portugal.
Que resultados pode hoje apontar a Fundação?
Temos muitos projetos em desenvolvimento, mas também temos ações concretas já desenvolvidas, num caminho que já começámos a construir: temos mais de 400 estudantes envolvidos, dez programas concluídos, 12 em curso e 30 eventos promovidos, numa rede crescente de universidades, instituições e parceiros.
I. L. / A. A.





