A pé, percorrendo a rota Vicentina, em seis etapas ao longo do trilho dos Pescadores: Lagos – Aljezur – cerca de 120 km
Falésias – Pescadores – Sargo – Praia de Monte Clérigo – Aljezur
Advinha-se o final do trilho, com saudade. O melhor já tinha passado. Era impossível ser surpreendido de novo. E portanto há sempre alguma maravilha ao longo destas costas: falésias e praias nunca são iguais. O vento e o mar também não. E se o sol estiver presente será sempre um paraíso. E ainda não tinha chegado ao destino final e já sentia vontade de voltar. Respirar este ar.
Fiquei admirado com a coragem dos pescadores em cima das falésias. Arriscar a sua vida por um peixe. Mesmo se for o sargo. E não sabia que as autarquias de Aljezur e Vila do Bispo e pescadores da Costa Vicentina estão envolvidos num estudo, que é liderado pela Universidade de Coimbra, para a sustentabilidade ambiental da pesca do sargo. O projeto Valsargo integra ainda uma avaliação das principais propriedades nutricionais da espécie, um peixe costeiro que habita em zonas rochosas. Em maio organiza-se o Festival do Sargo da Costa Vicentina, em restaurantes locais, com menus e pratos especialmente criados para o evento. Para fomentar a pesca artesanal e o aumento do potencial turístico da região.
“Esta etapa entre Aljezur e a Arrifana, passa pela praia de Monte Clérigo, uma aldeia-praia, e pela mítica Ponta da Atalaia. Numa terra onde se respira a força das lendas e o tempo da conquista de Portugal aos Mouros, esta caminhada é uma autêntica viagem no tempo”. (www.rotavicentina.com).
Ir da costa em direção ao interior, para Aljezur, é uma maneira de se despedir do mar, o companheiro de viagem. Aljezur foi fundada no século X pelos árabes que aqui permaneceram durante cinco séculos até à conquista cristã e aqui deixaram importantes marcas tais como o castelo, a sua cisterna, a toponímia, bem como muitas lendas e histórias populares.
A etapa em 14 fotografias. Sem mais palavras. Deixemos falar as paisagens com muito para dizer. Porque é a melhor resposta, uma admiração sem fim da beleza natural destas paisagens que falam por si.
Texto e fotografias
Clément Puippe, cp@netplus.ch




