Aprender português também inclui aprender a cuidar do outro, não apenas na interação comunicativa, mas também na ação, nomeadamente perante uma emergência. Reconhecer e saber executar pequenos gestos pode fazer uma grande diferença.
Foi com este propósito que os alunos dos 3.º e 4.º anos, de nível A2, da Escola Schwerzgrueb, em Bülach, participaram na atividade “Da palavra à mesa: gestos que salvam”, dinamizada pela professora Ana Teresa Miotti. A iniciativa envolveu onze alunos e contou com a colaboração especial de duas encarregadas de educação.
Integrada no projeto pedagógico “Os Mais Velhos Ensinam”, a atividade procurou articular a aprendizagem da língua portuguesa com conhecimentos essenciais de primeiros socorros. O tema da alimentação serviu como ponto de partida para abordar acidentes que podem acontecer no quotidiano, em particular durante a preparação e o consumo de alimentos. Cortes, queimaduras, quedas, entorses, hemorragias e engasgamentos foram algumas das situações exploradas. Os alunos aprenderam ainda como atuar perante uma perda de consciência e como pedir ajuda de forma adequada.
A sessão contou com a participação de uma bombeira suíça e de uma enfermeira portuguesa, ambas encarregadas de educação, que colocaram os seus conhecimentos e experiências profissionais ao serviço das crianças. A atividade decorreu em português e alemão, o que permitiu partir de conhecimentos já adquiridos pelos alunos na língua do país de acolhimento, para desenvolver e consolidar vocabulário específico em português.
Depois de uma primeira abordagem aos princípios básicos dos primeiros socorros, chegou o momento que mais entusiasmo despertou: passar da teoria à ação. Luvas, compressas, pensos, ligaduras e adesivos entraram na sala de aula e transformaram os alunos em verdadeiros “socorristas juniores”. Sob orientação das dinamizadoras, aprenderam a proteger feridas, a colocar ligaduras e a executar a posição lateral de segurança. Em pequenas simulações, alternaram entre os papéis de vítima e socorrista, o que lhes permitiu aplicar, de forma concreta e diferenciada, os conhecimentos adquiridos.
Outro aspeto fundamental foi a aprendizagem dos procedimentos para pedir auxílio. Os alunos compreenderam a importância de manter a calma, procurar um adulto e contactar corretamente os serviços de emergência, com especial atenção ao número 144, utilizado na Suíça, para emergências médicas.
No final, um pequeno teste permitiu consolidar as aprendizagens e concluir simbolicamente o “Curso de Socorrista Júnior”. Todos receberam um diploma que reconheceu o empenho, o interesse e a participação demonstrados ao longo da atividade. O registo fotográfico mostra precisamente estes diferentes momentos, desde a apresentação inicial e o contacto com os materiais até às simulações, ao teste e à certificação.
Queremos deixar um agradecimento muito especial às duas encarregadas de educação, uma bombeira suíça e uma enfermeira portuguesa, que aceitaram partilhar connosco os seus conhecimentos e a sua experiência profissional. A sua disponibilidade, o entusiasmo com que envolveram os alunos e a forma tão próxima como conduziram esta experiência foram fundamentais para transformar a atividade num momento de aprendizagem tão rico e significativo. Muito obrigada por terem trazido os vossos saberes até à nossa sala de aula e por os terem colocado ao serviço dos nossos alunos.
Mais do que aprender procedimentos de emergência, esta experiência mostrou que a língua portuguesa também se aprende através da ação, da cooperação e da partilha. Nas nossas aulas, procuramos criar situações significativas que permitam aos alunos usar o português para comunicar, interagir, compreender e agir no mundo que os rodeia. Nesta atividade, a aprendizagem de vocabulário específico ganhou sentido através da experiência prática e da ligação aos conhecimentos que os alunos já possuíam em alemão. A participação das famílias aproximou ainda a escola da comunidade e valorizou a partilha de saberes entre gerações. Assim, aprender português é também criar laços com a língua, com a cultura e com os outros. Estamos convictas de que ensinar uma palavra pode abrir caminho a uma aprendizagem e ensinar um gesto pode, um dia, ajudar a salvar uma vida.
Ana Teresa Miotti
Cláudia Pereira
Docentes CEPE Suíça





