Emanuel Trueb cresceu em Basileia, filho de mãe portuguesa e pai suíço, juntamente com três irmãos e uma irmã. A sua mãe veio para a Suíça em 1960, numa altura em que a imigração de Portugal para a Suíça ainda estava a começar. A mãe de Emanuel nasceu perto de Penafiel e cresceu em Lisboa. Com os seus irmãos, foram educados nas duas culturas e visitavam todos os anos a numerosa família em Portugal. Frequentou as escolas e o liceu na Suíça e decidiu formar-se em Agronomia. Depois mudou para Horticultura e, em 1992, foi-lhe confiada a gestão dos cemitérios e serviços fúnebres de Basileia. Em 1994, os cemitérios foram integrados na gestão dos espaços verdes e foi nomeado diretor dos espaços verdes da cidade de Basileia. No próximo mês de setembro, ao fim de 32 anos à frente daquela função, irá aposentar-se.
Qual é o seu trabalho ainda como diretor dos espaços verdes?
Sou responsável por 280 hectares de espaços verdes na cidade de Basileia. Isto inclui todos parques e outros espaços verdes, todas as árvores, mas também os cemitérios, as hortas públicas, as áreas de conservação da natureza e as áreas desportivas com as piscinas públicas ao ar livre. Os cemitérios incluem também o crematório municipal. Temos a nossa própria frota de veículos, estufas e viveiros. Dirijo um departamento com 300 funcionários. Os Espaços Verdes estão integrados no Departamento de Construção e Transportes. A minha chefe direta é a Conselheira Cantonal Esther Keller.
Pode dar-nos uma ideia das profissões que trabalham na sua área?
Temos uma grande variedade de especialistas como jardineiros, técnicos, arquitetos paisagistas, biólogos, zoologistas, desenhadores científicos, desenhadores digitais e nos cemitérios, coveiros, agentes funerários e organistas. A proporção de mulheres é de 40%.
Empregam portugueses?
Já não são muitos. A maioria deles regressou a Portugal.
Muitos portugueses em Basileia beneficiam das inúmeras hortas públicas que a sua administração arrenda. Pode explicar se é fácil reconhecer uma horta portuguesa?
Certamente, os jardins portugueses reconhecem-se de longe, mesmo que nenhuma bandeira nacional tenha sido erguida. São os legumes típicos, especialmente as couves portuguesas, que me mostram que estes jardins são tratados por compatriotas.
Tem contactos profissionais em Portugal?
Sou membro da Associação Portuguesa dos Jardins Históricos e no passado já tive contacto com as Câmaras Municipais do Porto, Ponte de Lima e Lisboa. Quando estou em Portugal, visito os maravilhosos jardins do país, muitos dos quais fazem parte do património cultural. Portugal tem jardins fantásticos. E quando pensamos no que há para descobrir na Madeira e nos Açores, só podemos ficar maravilhados.
Quais são os principais desafios do nosso tempo para a gestão dos espaços verdes?
Cada vez mais pessoas vivem em cidades, em apartamentos sem jardim. Dependem de espaços verdes públicos e instalações desportivas verdes. Encontros com a natureza e passar tempo ao ar livre só são possíveis em parques públicos. A pressão sobre estas áreas está a aumentar porque cada vez mais pessoas frequentam as áreas existentes, que são por vezes muito limitadas. Além disso, temos animais de estimação, como cães, que também frequentam os mesmos espaços. São necessários parques infantis, mas também espaços verdes desportivos. E depois há a biodiversidade, que também deve ter lugar no espaço urbano.
O que mudou nos últimos anos na gestão dos espaços verdes públicos?
Antes de tudo deve ser mencionada a digitalização. Quando comecei o meu trabalho havia apenas dois computadores para contabilidade. A correspondência era ditada e depois escrita com máquina de escrever. Atualmente, usamos dados digitalizados para quase todas as atividades. Depois, o interesse público pela vegetação na cidade mudou. No passado isto era uma questão de especialistas e ecologistas. Hoje uma grande parte da população interessa-se pela vegetação nas áreas urbanas, pela biodiversidade e pelas medidas contra as consequências das alterações climáticas.
Quais são os recursos financeiros para tornar este trabalho possível e garanti-lo a longo prazo?
Temos o privilégio de Basileia ser uma cidade com possibilidades financeiras graças à indústria farmacêutica. Por vezes, há referendos em Basileia quando se trata de grandes investimentos em espaços verdes públicos. E o povo de Basileia quase sempre vota a favor dos espaços verdes.
E o que acontece agora que vai deixar esta função?
A minha sucessão está decidida. Terá de promover novos projetos no norte de Basileia. Nos próximos 20 anos, serão criados bairros com muitas árvores, espaços verdes e parques infantis. Isso será certamente um desafio muito interessante.
Também é responsável pelos parques infantis. É verdade que em Basileia há uma piscina para os mais pequenos em cada parque infantil no verão?
Exatamente, temos mais de 20 dessas pequenas piscinas de crianças. Isto é muito apreciado, especialmente neste verão quente.
E agora, o que vai fazer a partir de setembro?
A minha esposa vai reformar-se ao mesmo tempo que eu. Estamos a planear ir de bicicleta até Portugal, ou seja, vamos pedalar durante dois meses por França, Espanha e Portugal. No final de outubro queremos chegar a Vila Nova de Milfontes, onde passamos regularmente as nossas férias e onde vive parte da minha família, que já há uns anos se mudou de Basileia para lá.
Adélio Amaro





