Há encontros que não se limitam a preencher uma data no calendário. Inscrevem-se como marcos na história de uma comunidade. O 3.º Fórum dos Portugueses da Suíça, realizado em Genebra, foi exatamente isso, um momento de afirmação coletiva, de reflexão madura e de projeção de futuro. O Fórum, com a coordenação de António Cunha (presidente da FAPS) e o apoio da sua equipa voluntária, além de siversos apoios, consolidou-se como um espaço de reflexão e celebração da presença portuguesa na Suíça, reunindo gerações, instituições e sensibilidades diversas.
Ao longo de um dia inteiro, entre debates, participação juvenil e celebração cultural, tornou-se evidente que a comunidade portuguesa na Suíça vive hoje uma fase decisiva. Vive a passagem de uma identidade reconhecida. O Fórum colocou esta questão no centro: como transformar reconhecimento simbólico em participação efetiva? E fê-lo com a profundidade que o tema exige.
Este é, talvez, um dos pontos mais relevantes para a comunidade portuguesa na Suíça. Esta já não é apenas uma presença, é um coletivo com história, contributo e responsabilidade, como estava patente na exposição “Notre História” que integrou o Fórum. Esta alertou para a necessidade de reforçar a consciência e a memória com perspetiva ao futuro.
A juventude teve um papel central, e isso não é detalhe. O 2.º Parlamento dos Jovens transformou a Sala de Plainpalais num laboratório democrático, onde os mais novos experimentaram o debate, a negociação e a responsabilidade. O tema escolhido, “Os jovens e as redes sociais: oportunidades e riscos”, mostrou que a nova geração não apenas compreende os desafios contemporâneos, como está pronta para lhes responder com pensamento crítico e propostas concretas. Para muitos, foi a primeira experiência de cidadania pública. E isso vale tanto quanto qualquer grande discurso.
A mesa-redonda da tarde, dedicada à cidadania ativa, ampliou esta reflexão. Investigadores, associativistas, eleitos e membros da comunidade analisaram, com franqueza, os obstáculos e as oportunidades da participação cívica. A ideia transversal foi clara: a comunidade portuguesa tem força, tem presença, tem história, mas falta transformar tudo isso em influência real nos espaços onde se decide o quotidiano. O Fórum procurou incentivar uma cidadania ativa e informada, capaz de ocupar o lugar que lhe corresponde na sociedade suíça.
O sarau cultural que encerrou o encontro não foi apenas celebração, foi demonstração de identidade viva, plural e em movimento. A cultura, seja ela musical, poética ou tradicional, continua a ser um dos pilares que une a diáspora e lhe dá sentido de pertença. Mas o Fórum mostrou que, hoje, a cultura é afirmação, é presença, é voz…
Num tempo em que as comunidades migrantes são chamadas a participar mais ativamente na vida pública, o 3.º Fórum dos Portugueses da Suíça surge como exemplo de maturidade cívica. Não se trata apenas de reunir pessoas, mas de construir consciência coletiva. Não se trata apenas de celebrar o que somos, mas de decidir o que queremos ser.
A comunidade portuguesa na Suíça tem diante de si um desafio e uma oportunidade: transformar a sua história em futuro, o seu trabalho em influência, a sua presença em cidadania. O 3.º Fórum mostrou que esse caminho já começou e que é irreversível.
O 4.º Fórum é o próximo passo que não depende apenas das instituições. Depende de cada um de nós…
Adélio Amaro, diretor





