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Home Economia

Fórum Portugal Nação Global

admin by admin
20/06/2026
in Economia
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Numa iniciativa do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, o Centro Cultural de Belém, Lisboa, acolheu nos dias 29 e 30 de Abril 807 participantes, vindos de 43 países, dos 5 continentes. Estiveram representadas 189 empresas da diáspora, 254 empresas nacionais, 266 instituições, 109 municípios, 11 câmaras de comércio bilaterais. Cobriram este evento 12 órgãos da comunicação social da diáspora e 4 nacionais.
O evento foi copromovido pela Secretaria de Estado e pela Fundação AEP, tendo o Banco Português de Fomento, a AICEP e o Conselho da Diáspora como parceiros, e o Banco Santander como patrocinador.
Segundo a organização, a diáspora, com mais de 5 milhões de portugueses e lusodescendentes, representa uma rede global única de talento, conhecimento, influência e capacidade económica. Este encontro, que se pretende anual, tem como objetivo afirmar a diáspora como ativo estratégico para o desenvolvimento do país.
Os dois dias foram preenchidos com palestras, mesas redondas temáticas e mais de 200 encontros entre empresários. Promoveu-se assim a articulação com o Governo, autarquias, tecido empresarial e estruturas associativas, com vista a criar oportunidades de desenvolvimento regional, internacionalização e colaboração empresarial.

DIÁSPORA CIENTÍFICA
Esta sessão debateu o contributo da comunidade científica portuguesa no estrangeiro para a inovação, a competitividade e o crescimento económico, bem como o reforço das ligações entre ciência, empresas, territórios e políticas públicas.
O painel foi moderado por Joana Lobo Antunes, comunicadora de ciência do IST, e contou com representantes de associações de graduados e cientistas portugueses no estrangeiro: Sílvia Curado, PAPS (Estados Unidos e Canadá); Paulo Gomes, AGRAPS (Suíça); Catarina Liberato, PARSUK (Reino Unido); Joana Campos, SPOT NORDIC (Países Nórdicos).
Entre os temas abordados destacaram-se:
1.⁠ A diáspora científica como instrumento de diplomacia científica
Foi defendido que a diáspora científica deve ser reconhecida como um parceiro estratégico para o desenvolvimento nacional. As redes e associações de graduados não devem ser vistas apenas como estruturas de representação informal, mas como parceiros qualificados na facilitação de colaboração científica, académica, tecnológica e empresarial.
Sublinhou-se a importância de integrar formalmente a diáspora científica nos processos de decisão e definição de políticas públicas, nomeadamente através de protocolos com agências governamentais e da criação de uma estratégia nacional de longo prazo para a valorização destas redes.
Foi igualmente reconhecido que, nos últimos anos, diferentes governos têm promovido uma maior abertura ao diálogo com estas associações, convidando-as a participar em consultas, debates e iniciativas institucionais.

2.⁠ Cooperação bilateral, transferência de conhecimento e circulação de talento
Muitos investigadores e profissionais portugueses ocupam atualmente posições de relevo em universidades, centros de investigação, laboratórios e empresas internacionais, funcionando como pontes privilegiadas entre Portugal e os países de acolhimento.
A manutenção de ligações às universidades e instituições de origem potencia a transferência de conhecimento, o desenvolvimento de projetos conjuntos e a criação de novas redes de colaboração internacional.
Neste contexto, foi salientada a importância de promover uma lógica de brain circulation em vez de lamentar o brain drain, valorizando a mobilidade internacional e apoiando tanto a integração de jovens graduados no estrangeiro como o regresso de talento qualificado a Portugal.

3.⁠ Mapear vs. ativar a diáspora científica
O mapeamento do talento científico português disperso por diferentes geografias e centros internacionais de excelência continua a ser um desafio complexo. Algumas associações iniciaram já esse trabalho, com o apoio da FCT.
No entanto, foi salientado que, mais importante do que mapear, será ativar ou reforçar mecanismos de ligação efetiva entre os investigadores da diáspora e as instituições nacionais, empresas e decisores públicos.

4.⁠ Networking, integração e literacia científica
As associações de graduados desempenham também uma importante função social e de networking, promovendo o intercâmbio de experiências pessoais e profissionais.
Paralelamente, desenvolvem atividades de educação, mentoria e divulgação científica junto das comunidades portuguesas locais e das gerações mais jovens, contribuindo para o reforço da literacia científica e para a valorização da ciência na sociedade.

5.⁠ ⁠Propostas e recomendações
Entre as propostas discutidas sobressaiu a necessidade de garantir maior sustentabilidade financeira às associações, cuja atividade depende fortemente do voluntariado dos seus colaboradores e das quotas dos membros. Foi defendida a revisão dos atuais modelos de apoio e subvenção, para permitir assegurar os custos operacionais básicos e a gradual profissionalização de determinadas funções.
Foi ainda recomendada a criação de adidos científicos nas embaixadas portuguesas, à semelhança do que já acontece em outros países, reforçando assim a capacidade de diplomacia científica e de articulação internacional de Portugal.

CASOS DE SUCESSO DA DIÁSPORA
Nesta sessão plenária, Jorge Viegas, Presidente da Federação Internacional de Motociclismo há cerca de 8 anos, incitou a visitar o museu da moto de competição, em Mies, no cantão de Vaud da Suíça.
Relembrou como se conseguiu levar o Grande Prémio de motociclismo a Portimão em 2020 e 2021, sem espectadores, apesar da pandemia covid-19. Desde então, o autódromo de Portimão passou a estar no calendário anual do campeonato do mundo.
Antigo gestor do autódromo do Estoril, que foi palco do Grande Prémio de Motociclismo entre 2000 e 2012, lamentou a degradação e o progressivo abandono das instalações.
Acalenta o projeto de conectar a Federação às Universidades, para lecionarem disciplinas relacionadas com o motociclismo.

MAPA DE OPORTUNIDADES EM PORTUGAL E NO MUNDO
Nesta sessão temática, Madalena Oliveira e Silva, Presidente da AICEP, referiu a importância da captação de investimento face a uma abordagem centrada exclusivamente na exportação, e salientou o papel crescente da Ásia como investidor global. Em particular, a China tem vindo a investir na aquisição e criação de empresas no estrangeiro, para aí produzir e assim ter acesso facilitado aos respetivos mercados.
As empresas portuguesas, que exportam essencialmente para a Europa e se concentram em 4 ou 5 países, devem diversificar os mercados. Contudo, uma empresa necessita ganhar dimensão antes de poder exportar eficazmente – a taxa de sucesso na conquista de mercados aumenta com o investimento inicial e com a dimensão da empresa.
Na mesma sessão, António Amorim, Presidente do Grupo Amorim, relembrou que inicialmente criaram várias empresas especializadas, mas se fosse hoje comprariam empresas já estabelecidas e com experiência.
Salientou que há que olhar para os dados e implantar-se onde o mercado seja mais importante. Todavia, no que concerne a exportação de rolhas, o foco não está apenas no volume absoluto de vinho produzido, mas sim no volume de vinho engarrafado com posicionamento Premium, isto é, em países onde o consumidor valoriza o ritual e a qualidade da rolha de cortiça.
Na produção de transformadores elétricos, os compósitos de cortiça são uma alternativa de alta performance e muito mais sustentável que a tradicional borracha sintética. A Amorim está interessada e ativa no mercado indiano de infraestruturas elétricas, em rápida expansão devido à modernização da sua rede.

2026 E ALÉM: OPORTUNIDADES PARA PORTUGAL GLOBAL
Nesta sessão plenária, António Horta-Osório, Presidente da Direção da Bial, afirmou que, agora que Portugal atingiu um equilíbrio das contas, há que tratar de melhorar o nível de vida das pessoas.
Deveria haver uma única Agência ou porta de entrada para os pedidos de financiamento, senão é demasiado complicado e as empresas acabam por se instalar noutros países. Temos de atacar os problemas frontalmente, com métricas. Por exemplo, quantos pedidos de financiamento foram respondidos em 10 dias ou 20 dias ou 30 dias. Seria também estimulante que o IRC baixasse ainda mais.
Segundo Paulo Rangel, Ministro Negócios Estrangeiros, estamos a trabalhar no alargamento e reforço da rede diplomática e consular. Na África e América Latina já é bastante razoável, mas na região Indo-Pacífico as comunidades vão certamente aumentar e temos de apertar a malha consular. Vamos também abrir Embaixadas no Vietname e Filipinas. O objetivo é garantir uma cobertura económica e geoestratégica numa das regiões com maior crescimento económico.
Em articulação com a AICEP, estamos integrando a diplomacia económica em Consulados com uma vertente comercial ativa, como Rio de Janeiro, São Paulo, Nova Iorque, entre outros, e futuramente Goa.
A descida do IRC é para continuar. Mas não podemos resolver todos os problemas em simultâneo. Há que escolher os prioritários e os outros seguirão depois, por arrastamento.
António Calçada de Sá, Presidente da Direção do Conselho da Diáspora Portuguesa, congratulou-se com a evolução do Conselho, de 70 membros em 2021 para 377 atualmente, em 45 países.
A Diáspora Jovem é uma iniciativa que visa conectar talentos emergentes, com idades até 35 anos, que vivem e trabalham no estrangeiro. Ficámos muito impressionados com a energia destes cerca de 30 jovens, para promover o desenvolvimento de Portugal e fortalecer a ligação com o país.

OUTRAS SESSÕES
Houve ainda sessões sobre: Parques Empresariais e Ecossistemas de Inovação; Diplomacia Económica Municipal e Atração de Investimento; Lusofonia: A Diáspora como Acelerador da Internacionalização; Apresentações dos Territórios a Potenciais Investidores e Empresários da Diáspora; Preparar A Empresa para o Investimento Externo; Estratégias de Expansão Global; Comunidades, Economia e Territórios; Desburocratização, Regulamentação e Grandes Acordos Comerciais Internacionais; Medidas de Apoio ao Investimento e Instrumentos Financeiros para o Investidor.
Durante o jantar de confraternização foram atribuídos os seguintes prémios: “Empresário da Diáspora” – António Pargana, empresário no Brasil e em Portugal, e criador da Fundação António Pargana que apoia os lusodescendentes a fortalecer os laços com Portugal; “Personalidade da Diáspora Científica” – Silvia Curado, Presidente da PAPS e Diretora de Investigação na Universidade de New York, USA. “Município Amigo da Diáspora” – município do Funchal.

Página oficial do evento
https://portugalnacaoglobal.pt
Discurso de abertura
do Primeiro-Ministro

Discurso de encerramento do Secretário de Estado das Comunidades

Paulo Gomes, oficial de ligação do CERN para Portugal, Presidente da AGRAPS

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