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Home Economia

40 anos de Portugal no CERN

admin by admin
20/06/2026
in Economia
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Liderada pelo Ministro Fernando Alexandre e pela Secretária de Estado da Ciência, Helena Canhão, a comitiva integrou a Presidente da FCT (Madalena Alves) e o Presidente da ANI (António Grilo), assim como Reitores e outros responsáveis de instituições de ensino superior. A delegação incluiu ainda o Embaixador na Missão Permanente de Portugal em Genebra (João Mira Gomes), o Delegado Científico ao Conselho do CERN (Mário Pimenta) e representantes do LIP e de outras entidades nacionais.

Portugal e o CERN
O acordo de adesão de Portugal ao CERN (Laboratório Europeu para a Física de Partículas) foi assinado em abril de 1985, pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros (Jaime Gama) e pelo Diretor-Geral do CERN (Herwig Schopper). Em janeiro de 1986, o hastear da bandeira portuguesa no CERN simbolizou a entrada oficial como Estado Membro. Pela primeira vez na sua história, Portugal tornava-se então membro de um laboratório científico internacional.
Paralelo à integração na Comunidade Europeia, também em 1986, este processo foi impulsionado por José Mariano Gago, a quem se ficou a dever a subsequente modernização do Sistema Científico e Tecnológico português. Ainda em 1986, foi criado o LIP (Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas), como o parceiro nacional de ligação ao CERN, com a missão de congregar a comunidade portuguesa da Física de Partículas.
Fundado em 1954 por 12 países europeus para reter o talento científico e promover a paz através da ciência, o CERN conta atualmente com 25 Estados Membros e 11 Estados Associados. A Organização integra mais de 5 000 funcionários, estagiários e estudantes, além de acolher mais de 12 000 utilizadores à escala global.
Embora o propósito central do CERN seja a física de partículas, a Organização desenvolve tecnologias de ponta com aplicação direta na sociedade (medicina, IA, supercondutividade, criogenia, materiais, etc.) e aposta na formação de estudantes, graduados e professores.

“O CERN é uma referência global na gestão de projetos internacionais complexos e no fomento da colaboração europeia. O seu sucesso é um trunfo para o posicionamento da Europa no mundo”.
Ursula Bassler, diretora para as Relações com os Parceiros

Portugal destaca-se pelo elevado retorno humano: contribuindo com 1% do orçamento, garante 2% a 5% do pessoal (150) e 1% dos utilizadores (120). A indústria portuguesa também é altamente apreciada, mantendo um retorno financeiro equilibrado face ao investimento.
Ao longo destas quatro décadas, centenas de investigadores, engenheiros, estudantes e professores contribuíram para descobertas científicas de relevo, para o desenvolvimento de novas tecnologias e para a formação de gerações de especialistas altamente qualificados.
“O impacto desta participação estende-se além da ciência fundamental, potenciando a transferência tecnológica, a inovação industrial, e a afirmação do país na diplomacia científica europeia”.
LIP, brochura 40 anos Portugal CERN

Desde 1998, o programa de formação para professores de física do secundário já abrangeu mais de 500 docentes portugueses. Em 2009 foi alargado a outros países de língua portuguesa. A partir de 2022, os professores dos PALOPs e de Timor-Leste têm contado com o financiamento do Instituto Camões. A Coordenação do Ensino do Português na Suíça participa também nesta formação, promovendo a literacia científica associada ao conhecimento da língua portuguesa.

“O facto de Portugal ser o único Estado da CPLP que é membro pleno do CERN confere ao país a possibilidade de ser a melhor porta de entrada para os cientistas do espaço lusófono e, também, de ser uma plataforma única para a valorização da língua portuguesa como língua de ciência e de conhecimento”.
Rui Macieira, anterior Embaixador na Missão Permanente de Portugal em Genebra

Visita
A visita oficial de 26 de janeiro 2026 começou com a receção da comitiva pelo Diretor-Geral do CERN (Mark Thomson), os diretores para as Relações com os Parceiros e para a Pesquisa e Computação (Ursula Bassler e G. Hamel de Monchenault), o responsável pelas relações com os Estados Membros (J. Miguel Jimenez) e o oficial de ligação com Portugal (Paulo Gomes). Seguiu-se uma introdução geral às atividades da Organização, pelo Diretor-Geral.
Dirigimo-nos depois para Cessy, França, onde descemos à caverna de CMS (Compact Muon Solenoid), uma das 4 principais experiências do LHC (Large Hadron Collider – Grande Colisor de Hadrões), o maior acelerador de partículas do mundo. No local, a comitiva pôde contemplar a magnitude e complexidade do detetor de partículas, e receber esclarecimentos detalhados, da porta-voz da colaboração, Anadi Canepa, e do físico português Pedro Silva.
A visita prosseguiu no Ponto 2 do LHC, em Sergy, França, onde a comitiva foi acompanhada por J. Miguel Jimenez e Pedro C. Pinto (do grupo de Vácuo, Superfícies e Revestimentos). Após descer ao túnel do acelerador, os especialistas expuseram as diversas tecnologias de ponta utilizadas (criogenia, vácuo, ímanes supercondutores, etc.), fundamentais para guiar e acelerar as partículas a velocidades próximas da da luz, gerando colisões que recriam o Universo imediatamente após o Big Bang.
Com uma luminosidade (número de colisões de partículas) dez vezes superior à atual, o futuro Hi-Lumi-LHC entrará em funcionamento em 2030. Este verão arrancará um programa intensivo de quatro anos para instalar no túnel do LHC um novo sistema de ímanes de focagem do feixe (Inner Triplet). As respetivas tecnologias inovadoras estão a ser validadas à escala real, no banco de ensaio Inner Triplet String. Foi nesta plataforma que Samer Yammine (coordenador técnico do HL-LHC IT-String) e Délio D. Ramos (do grupo de Ímanes, Supercondutores e Criostatos) nos explicaram os detalhes e os complexos desafios do projeto.
Seguiu-se uma sessão dedicada a projetos onde estão envolvidos cientistas e engenheiros portugueses no CERN, contemplando também parcerias com instituições portuguesas: Rita Pinho, transferência de conhecimento do CERN para a sociedade; Diogo Santos, aprendizagem federada de IA e aplicações médicas; André Henriques, CAiMIRA – Avaliação do risco de contágio por via aérea em espaços interiores, FCC – o futuro acelerador do CERN; Pedro C. Pinto, filmes finos e Carolina Amoedo, tecnologias de plasma para aceleradores.

Sessão solene, almoço e Science Gateway
A cerimónia evocativa dos 40 anos da adesão de Portugal ao CERN foi o ponto alto do dia, congregando, além da comitiva, a Cônsul-Geral em Genebra, Leonor Esteves, e cerca de 70 membros da comunidade portuguesa no CERN. Associou-se ainda ao evento uma delegação do PIEP (Pólo de Inovação em Engenharia de Polímeros), participada da UMinho, que se encontrava em deslocação ao CERN para planear a continuidade dos projetos conjuntos em curso, no âmbito do protocolo de colaboração existente entre a UMinho e o CERN.
O ato solene incluiu as alocuções do Diretor-Geral e do Ministro, que assinou o livro de honra. Após a sessão de fotografias, seguiu-se um animado almoço informal que proporcionou um excelente momento de confraternização e networking entre a comitiva e os “cernianos” lusos.
O programa encerrou com o Science Gateway: visita ao mini acelerador linear ELISA, conduzida por Pedro C. Pinto e Serge Mathot, seguida de um roteiro pelas exposições temáticas interativas (Accelerate, Collide, Universe, Arts e Quantum World), guiada por Rita Pinho, Ana Peixoto, Pedro C. Pinto, e Paulo Gomes.

“Hoje cumprem-se quase exatamente 40 anos desde que a bandeira portuguesa foi hasteada em frente ao CERN, a 11 de janeiro de 1986.
Esta manhã, tiveram a oportunidade de visitar o detetor de CMS que, tal como ATLAS, é uma das duas grandes experiências de uso geral do LHC. Portugal participa em ambas as colaborações desde o início. Aqui no Science Gateway, público de toda a Europa vem descobrir a ciência e conhecer o trabalho desenvolvido no CERN. Desde a abertura deste complexo, em outubro de 2023, recebemos mais de 800 mil visitantes, entre os quais mais de 11 mil portugueses.
O CERN é um exemplo notável de colaboração internacional. Mais de 17 mil investigadores de 110 nacionalidades partilham esta infraestrutura. Ao longo de 72 anos, o CERN ajudou a afirmar a Europa como líder mundial na física de partículas, impulsionando simultaneamente a descoberta científica e a inovação tecnológica.
Um bom exemplo são os 300 metros de cabos supercondutores que puderam observar no banco de ensaio IT-String do projeto Hi-Lumi-LHC — uma tecnologia desenvolvida aqui no CERN graças a competências científicas e de engenharia únicas.
Os jovens estão no centro de tudo o que o CERN faz. Em cada momento, cerca de 1 700 jovens cientistas, engenheiros e estudantes participam nas atividades da Organização, desenvolvem competências científicas e tecnológicas avançadas, durante dois ou três anos. Trata-se de um investimento fundamental no talento e na capacidade de inovação futura da Europa.
O CERN não seria possível sem o apoio dos Estados-Membros, como Portugal”.
Mark Thomson, director-geral do CERN

“Esta visita é particularmente importante para mim, no momento em que celebramos os 40 anos de Portugal no CERN. Quando Portugal aderiu, nos anos 80, o país encontrava-se numa fase muito diferente do seu desenvolvimento. Esta parceria foi fundamental para o nosso progresso científico e tecnológico.
Sob a liderança de Mariano Gago, os investigadores portugueses tiveram acesso a uma infraestrutura de nível mundial e tornaram-se participantes ativos nas experiências do CERN e na busca das origens do universo. Esta colaboração permitiu também formar centenas de jovens cientistas e engenheiros, parte dos quais continua no CERN, enquanto outros seguiram carreira no estrangeiro, e alguns regressaram a Portugal.
Hoje, Portugal já não é apenas um beneficiário desta parceria — somos um membro de pleno direito, que contribui para as soluções e para o futuro da ciência europeia. Queremos desempenhar um papel ainda mais relevante no desenvolvimento das infraestruturas científicas e tecnológicas necessárias à física de partículas e às áreas associadas.
Neste momento, em que Portugal prepara uma importante reforma do seu sistema científico e tecnológico nacional, incluindo a criação pela primeira vez de um quadro orçamental plurianual de cinco anos, estamos também a discutir a nossa contribuição para o CERN na próxima década e a forma como Portugal poderá assegurar a sua participação na resposta aos desafios europeus e globais através desta parceria”.
Fernando Alexandre, ministro da Educação, Ciência e Inovação

Testemunhos
“Durante a visita, a comitiva observou os avanços do projeto de atualização do LHC (Large Hadron Collider) e viu o trabalho de jovens investigadores e de institutos portugueses, na aplicação de tecnologias do CERN à medicina e a outros setores.
O sucesso do laboratório e o desenvolvimento do futuro acelerador FCC (Future Circular Collider) dependem do apoio contínuo dos Estados-Membros.
Portugal desempenha papéis importantes no LHC e no programa global do CERN. Expresso a minha sincera gratidão a Portugal e à comunidade científica portuguesa por fazerem parte desta jornada incrível, e agradeço ao Ministro Alexandre pela visita muito agradável e construtiva”.
Mark Thomson, director-Geral do CERN

“Foi um momento de balanço da participação nacional, perspetiva de oportunidades futuras e celebração com a comunidade científica portuguesa no CERN”.
João Mira Gomes, embaixador na Missão Permanente de Portugal em Genebra

“Tive oportunidade de conhecer de forma mais aprofundada o CERN e algumas das suas experiências. Destaco o contacto com membros da comunidade portuguesa, incluindo vários alumni da UMinho”.
Pedro Arezes, reitor da UMinho

“Foi uma enorme satisfação contactar com tantos profissionais portugueses no CERN (cientistas, investigadores e estudantes) que comprovam diariamente que o talento nacional se posiciona entre os melhores do mundo. O impacto do CERN vai muito além da física: a ciência de vanguarda potencia a inovação, alimenta a competitividade e molda o futuro.
Esta é uma das muito poucas áreas em que a Europa mantém uma liderança tecnológica global clara. O CERN demonstra que o investimento consistente na ciência e na colaboração internacional são trunfos estratégicos para a competitividade e para a soberania tecnológica europeias”.
Aurélio Caldeira, director-geral da ANIMEE – Associação das Empresas do Setor Elétrico e Eletrónico

“A visita constituiu uma excelente oportunidade para conhecermos as instalações e o trabalho desenvolvido por esta instituição de referência internacional, bem como para tomar nota da relevância da participação portuguesa no CERN ao longo destas quatro décadas”.
Conceição Freitas, diretora da Faculdade de Ciências da ULisboa

“A presença de Ciências ULisboa reflete o contributo dos seus centros de I&D na investigação em Física de Partículas e Física Teórica, reforçando o papel da Faculdade na ciência portuguesa e na cooperação internacional”.
FCUL, Faculdade de Ciências da ULisboa

Texto: Paulo Gomes
Oficial de ligação do CERN para Portugal, Presidente da AGRAPS

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