Celebra-se a 10 de junho o dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.
Celebra-se, assim, a fundação de uma Nação secular, a exortação da maior figura da literatura portuguesa e o papel essencial que a emigração portuguesa teve, tem e terá, na afirmação e extensão da alma lusitana em todo o Mundo. Este ano recordamos também a passagem do 40º aniversário da adesão de Portugal à, então, Comunidade Económica Europeia, hoje União Europeia e evocamos o 100º aniversário do nascimento de Júlio Pomar, pintor modernista português que produziu uma obra multifacetada centrada na pintura, no desenho, na cerâmica e na gravura, com desenvolvimentos significativos nos domínios da arte tridimensional.
Dirigindo-me em particular aos portugueses residentes na Suíça e no Principado do Liechtenstein, saudando-os, aqui recordo por que razão devemos continuar a evocar a data e a celebrá-la, centrados na ideia essencial de que, sendo portugueses, a afirmação da nossa identidade é fundamental para o futuro das novas gerações e do próprio país.
Celebrar Portugal é transmitir aos mais novos a nobre língua pela qual Camões tão bem se soube exprimir, e difundi-la de forma constante e estruturada, pois hoje abrange mais de 260 milhões de falantes em todo o mundo. Procurem tirar o máximo partido de termos na Suíça uma importante rede de seis dezenas de docentes, representativos de um forte investimento anual do Estado Português e o facto, incontornavelmente conhecido e provado, que um jovem multilingue, será sempre um ator interventivo da sociedade futura, com mais recursos ao seu alcance para ter sucesso profissional e social.
Celebrar Portugal é ser partícipe na promoção e divulgação da nossa cultura e história, acompanhando a ação do ensino junto dos mais jovens, como referido, mas também as ações culturais que associações e outras entidades, possam e queiram organizar na Suíça. E todas aquelas que, por via da presença muito relevante de quadros nacionais de elevada craveira em múltiplas instituições locais no plano da investigação, da ciência, da economia e da gestão qualificada, soubermos cultivar.
Celebrar Portugal é sermos cumpridores dos nossos deveres cívicos, mas também agentes vivos de participação cidadã na vida cívica e política locais, e defensores da vida em liberdade e democracia, em particular quando a Europa atravessa desafios de enormes proporções ao ter de ultrapassar novos obstáculos e dificuldades resultantes, em particular, do conflito militar e drama humanitário que decorre há mais de quatro anos na Ucrânia, solo europeu, que não quer nem aceita.
Celebrar Portugal de forma livre, mas moderna, tem também de acontecer numa Suíça diversa, cabendo a cada um de fazer valer os seus direitos e cumprir as suas obrigações junto das entidades locais e das autoridades portuguesas. Para o Estado Português, são relevantes de forma igual todas as necessidades de qualquer nacional, independentemente da sua condição social ou da maior ou menor dimensão do núcleo populacional em que se integra.
Celebrar Portugal é sermos participes na difusão da imagem de uma Nação moderna, de raiz e história europeia, aberta ao Mundo. E essa imagem nova é construída por aqueles que residem no nosso País, mas também por todos quantos, no estrangeiro, procuram concretizar novos projetos de vida na base de desempenho nobre, qualificado, responsável e comprometido.
A todos bem hajam pelo arrojo das vossas vidas, pela tenacidade na integração, quantas vezes com desafios incontornáveis que souberam vencer, sem nunca descurar a ligação à Pátria e, por isso, por também continuarem a ser admirados e elogiados pelas autoridades suíças.
Viva Portugal.
Júlio Vilela, Embaixador de Portugal




