O músico português, José Pedro Galvão, fez o seu recital de mestrado na Grosser Konzertsall na Hochschule der Künste Bern.
Este recital foi encarado pelo músico como uma celebração dos últimos dois anos, “por tudo o que representaram. Pelo privilégio e pela concretização do sonho de estudar com o professor Thomas Rüedi, pela distância de casa e das pessoas de quem mais gosto e que mais me apoiam, pela experiência de viver num país diferente e numa cultura diferente”, afirmou José Galvão.
O repertório foi escolhido também com esse propósito, segundo nos confidenciou. Houve dois momentos, “particularmente especiais para mim, tanto pelo que toquei como pelas pessoas com quem toquei”, disse José Pedro.
“Variations on a Japanese Song” é uma obra para quarteto de eufónios da autoria de Thomas Rüedi, que José Galvão interpretou com mais três portugueses: João Carneiro; Joel Neiva e Rafael Frade. Estudantes em Luzern, também sob a orientação do professor Thomas Rüedi. Quatro portugueses deslocados pela mesma razão: estudar e trabalhar com uma das maiores referências mundiais do eufónio.
No recital José Galvão estreou ainda uma obra da sua autoria, composta propositadamente para a ocasião: “Sonata for Euphonium, Vibraphone and Piano”. Esta formação instrumental é pouco comum, sendo esse também um dos objetivos da peça: afastar da tradicional combinação de eufónio e piano. Assim, José Galvão, acrescentou o vibrafone, o seu instrumento preferido da família da percussão, pela sua sonoridade e versatilidade. Desta forma, procurou explorar novas cores e sonoridades na relação entre o bombardino e o piano.
Quanto à narrativa da obra, esta procura retratar os últimos tempos da sua vida, tanto a nível musical como pessoal.
O primeiro andamento, “The Dream”, representa para Galvão um período de descoberta, de crescimento e de uma enorme vontade de aprender mais, alimentada pelo sonho de estudar com Thomas Rüedi. O segundo andamento, “Lullaby”, é dedicado aos seus sobrinhos, Maria Alice e José António. No primeiro dia em que pisou solo suíço, para iniciar os seus estudos, nasceu o seu sobrinho, a 15 de setembro de 2024. Este andamento surge, assim, como uma canção de embalar dedicada à Maria e ao José. O terceiro andamento, “Breakout”, representa o desejo e a ambição de construir uma carreira sólida e estável após este período de formação.
Como complemento ao programa, interpretou, também, um arranjo da sua autoria: “Fado Avé Marias”, uma canção tradicional de Vila Nova de Anços, a sua terra natal.
Na assistência esteve o seu antigo professor, Ricardo Antão, a namorada Carolina, “que me apoia incansavelmente em tudo o que faço”, assim com os seus amigos Kevin e Ricardo, “cuja presença eu não esperava e que acabou por ser uma excelente surpresa”, explicou José Galvão ao Gazeta Lusófona.
Adélio Amaro





