O artista português Telmo Guerra inaugurou, no último dia 30 de abril, a exposição “Traces du Temps”, patente na Galerie de l’Evole, em Neuchâtel, na Suíça, onde reside desde 2012.
A mostra, que decorre até 17 de maio, reúne um conjunto de obras desenvolvidas a partir da gravura em baixo-relevo, técnica que estrutura a investigação do artista sobre a memória, a matéria e a passagem do tempo.
Natural da Covilhã e com percurso iniciado na década de 1980, Telmo Guerra tem centrado a sua produção na gravura enquanto linguagem visual ligada à origem da expressão humana. O artista trabalha sobre materiais como madeira, cerâmica, vidro, ferro e pedra, explorando a inscrição de marcas como forma de registo do presente. A sua abordagem cruza rostos humanos com elementos da cultura portuguesa, como a azulejaria e a Cruz de Cristo, numa leitura que articula identidade e memória coletiva.
A nova exposição surge num momento de consolidação internacional do seu trabalho. Em 2025, Telmo Guerra instalou uma obra de grandes dimensões no Lusail International Circuit, no Qatar, no âmbito do Grande Prémio de Fórmula 1. A peça, com 12 metros de comprimento e três de altura, foi concebida para a Control Tower do circuito e integrou referências à identidade cultural do país, ao património e ao desenvolvimento contemporâneo, num projeto desenvolvido após convite institucional do presidente da infraestrutura.
No plano institucional, o artista foi distinguido em 2024 com a medalha Pierre de Coubertin, atribuída pelo Comité Olímpico Internacional, tornando-se o primeiro português a receber esta distinção. A homenagem decorreu na Maison Olympique, em Lausanne, após a apresentação de um conjunto de obras dedicadas à história do movimento olímpico, incluindo representações do fundador Pierre de Coubertin e dos presidentes da organização.
Entre outros trabalhos, Telmo Guerra assinou peças para o Papa Francisco, entregues no Vaticano, para a Federação Internacional de Voleibol, para a Casa António Guterres, no Fundão, e para cidades como La Chaux-de-Fonds e Covilhã. Em 2022, destacou-se também pela criação de uma obra em homenagem a José Saramago, concebida a partir de duas portas de madeira, numa abordagem simbólica centrada na ideia de transformação e abertura.
A exposição “Traces du Temps” propõe agora um novo momento de contacto com o público, num espaço onde a obra se constrói na relação entre o olhar e a matéria. O vernissage está marcado para as 18h do dia 30 de abril, na Galerie de l’Evole, localizada na Rue de l’Evole 5, em Neuchâtel.





