Recentemente tive a honra de oferecer a Sua Alteza Real, o Duque de Bragança, uma peça muito especial: uma recriação em filigrana do logótipo do Acervo do Café.
Mais do que um simples gesto protocolar, esta oferta simbolizou o encontro entre duas importantes dimensões da identidade portuguesa: a preservação do património histórico e cultural e a valorização das tradições que moldaram a nossa nação ao longo dos séculos.
A filigrana, uma das mais nobres expressões da ourivesaria portuguesa, representa o saber-fazer transmitido de geração em geração, constituindo um património cultural de enorme relevância.
Ao escolher esta arte para recriar o símbolo do Acervo do Café, procurámos associar a delicadeza e a permanência da filigrana à missão que orienta o nosso projeto: preservar, estudar e perpetuar a memória histórica do café e da sua influência na sociedade portuguesa.
O Acervo do Café nasceu da convicção de que os objetos, documentos e testemunhos do passado possuem um valor que ultrapassa a sua dimensão material.
Cada peça da coleção conta uma história de trabalho, de comércio, de viagens, de relações humanas e de intercâmbios culturais que ajudaram a construir o mundo moderno. Preservar esse património é garantir que as gerações futuras compreendam a importância económica, social e cultural que o café teve e continua a ter. Neste contexto, a figura da Casa de Bragança assume um significado especial. Ao longo da história, os monarcas portugueses desempenharam um papel determinante na expansão marítima, na consolidação dos territórios ultramarinos e na criação das condições que permitiram a circulação de produtos, conhecimentos e culturas entre continentes.
Foi nesse vasto espaço de influência portuguesa que o café encontrou terreno fértil para se desenvolver e afirmar como um dos produtos mais relevantes do comércio mundial.
Particularmente durante o período da monarquia constitucional, o café tornou-se um elemento importante das economias coloniais portuguesas, sobretudo em África e no Brasil, contribuindo para o desenvolvimento de regiões inteiras e para a ligação entre povos e mercados.
A história do café confunde-se, em muitos aspetos, com a própria história da presença portuguesa no mundo.
Ao entregar esta peça ao Duque de Bragança, quisemos prestar homenagem não apenas à pessoa que hoje representa uma das mais antigas instituições da História de Portugal, mas também à continuidade de uma memória coletiva que importa preservar.
Tal como a filigrana resiste ao tempo através das mãos dos artesãos, também o património do café merece ser protegido, estudado e transmitido às gerações vindouras.
Foi, por isso, um momento de profundo significado para os fundadores do Acervo do Café.
Um momento que reforça a nossa convicção de que a cultura, a história e a memória são patrimónios vivos, cuja preservação constitui uma responsabilidade partilhada por todos aqueles que valorizam a identidade portuguesa. Porque preservar o passado é, acima de tudo, investir no futuro.
Manuel Guedes




