Durante a sua passagem pela Suíça, no âmbito da 14.ª Gala da “Revista Repórter X”, realizada no dia 2 de maio no Centro D’Olímpia, no cantão de Lucerna, na Suíça, José Figueiras, apresentador da SIC, concedeu uma entrevista exclusiva ao Gazeta Lusófona na qual partilhou a sua visão sobre a comunidade portuguesa residente no país, refletiu sobre o conceito de portugalidade e deixou uma mensagem de profundo reconhecimento aos emigrantes que continuam a manter Portugal vivo dentro de casa, mesmo décadas depois de terem partido.
Ao ser questionado sobre a forma como olha para os portugueses residentes fora de Portugal, José Figueiras deixou uma das declarações mais marcantes de toda a conversa.
“Eu acho que os portugueses fora do nosso país, se calhar isto é um chavão, mas eu sinto isso, são muito mais portugueses do que os que vivem em Portugal”, afirmou, explicando o que distingue emocionalmente a vivência da diáspora portuguesa na ligação afetiva ao país.
“Sentem os dias muito próprios, sentem a saudade, que é uma coisa muito nossa, e, sobretudo, a nova geração, os filhos destes portugueses que vieram para cá há 30, 40, 50 anos, não deixaram ainda de ter esta ligação ao nosso país”, sustentou.
Ao falar especificamente sobre a comunidade portuguesa residente na Suíça, José Figueiras destacou a forma exemplar como os emigrantes se adaptaram ao país de acolhimento. Ao caracterizar essa integração, explicou que “a comunidade portuguesa, de um modo geral, em todo o mundo, é uma comunidade que se integra perfeitamente. Aqui na Suíça não é exceção. Aliás, a Suíça, com as suas regras e com o seu rigor, faz com que os portugueses se adaptem ainda muito melhor e cumpram, claro”, disse.
Na mesma resposta, reforçou ainda a imagem positiva que guarda dos portugueses residentes naquele país. Ao descrever o espírito da comunidade, acrescentou.
“É uma comunidade muito simpática, muito em festa, que está sempre a organizar eventos relacionados com qualquer dia, qualquer situação, qualquer dia de Portugal. E, na verdade, é uma comunidade muito bem integrada”, destacou.
Ao explicar aquilo que entende por “portugalidade”, José Figueiras falou das raízes culturais que atravessam fronteiras.
“Eu acho que sentir a portugalidade é sentir todas as nossas raízes e toda a nossa cultura, desde o folclore, desde a música tradicional portuguesa, desde comemorar os dias que em Portugal se calhar não se liga muito e aqui, por exemplo, na Suíça, dão muito mais valor”, sublinhou.
“Porque quem deixou o nosso país há 50 anos, a ideia se era de trabalhar 4 ou 5 anos para depois voltar a Portugal e reconstruir a vida, tudo provavelmente saiu ao contrário, nasceram os filhos, nasceram os netos, já não voltam para o país de origem, mas têm este Portugal sempre, como eu digo, no coração”, acrescentou.
Já no final da conversa, José Figueiras deixou uma mensagem particularmente emotiva para os portugueses espalhados pelo mundo, dirigindo-se diretamente aos emigrantes.
“A mensagem que eu vos posso mandar é de um carinho muito especial e sentir que, pelo menos da minha parte e dos que me rodeiam, nós não esquecemos de vocês, estamos sempre convosco e lembramo-nos sempre de vocês”, concluiu o apresentador.
Ígor Lopes





