A nona edição do projeto “Aula no Museu”, desenvolvido pela professora Andrea Martins Alexandre e os seus alunos do Ensino Português no Estrangeiro (EPE), transformou-se numa viagem cultural e sensorial inesquecível para um universo de cerca de 90 alunos.
Sob o tema “Do cacau de São Tomé e Príncipe ao chocolate suíço”, a iniciativa uniu história, geografia, cultura, gastronomia e expressão linguística, integrando o tema orientador da CEPE Suíça, para o ano letivo 2025-2026 “Da palavra à Mesa”.
O percurso começou com uma pesquisa histórica sobre a origem do chocolate, desde os rituais das civilizações Maia e Azteca até à introdução do cacau em São Tomé e Príncipe, trazido do Brasil, por ordem do Rei D. João VI.
Os alunos exploraram mapas, identificaram países produtores de cacau e localizaram São Tomé e Príncipe (STP) no ponto exato onde a linha do Equador cruza o Meridiano de Greenwich.
Seguiu-se uma visita à fábrica de chocolate Maestrani, em São Galo, apelidada de “laboratório da felicidade”. Entre cascatas de chocolate e degustações variadas, a experiência despertou curiosidade e entusiasmo.
De volta à sala de aula, a viagem continuou de forma imaginária, percorrendo as capitais dos países da linha do equador, desde o Equador até Kiribati, passando novamente pelas ilhas africanas, São Tomé e Príncipe.
Um vídeo sobre a produção artesanal de cacau, gravado em STP e disponível em www.claudiocorallo.com, reforçou a ligação entre cultura, geografia e gastronomia. Virtualmente, os alunos exploraram plantações de cacau, acompanhando todo o processo artesanal, desde a apanha do fruto, passando pela fermentação das favas até à produção da barra, ou seja, das napolitanas finais. Os alunos conseguiram sentir toda a envolvência natural desta ilha da linha do equador, com os seus sons e cores.
Antes da degustação foi terminámos a leitura, em voz alta, do livro: “Ciclo do chocolate”, das autoras Cristina Quental e Mariana Magalhães, com ilustrações de Sandra Serra, tendo o ditado ficado para uma aula posterior.
O momento mais esperado chegou com a degustação de chocolates de São Tomé e Príncipe e da Suíça.
Entre aromas intensos e o estalar crocante das favas, os alunos degustaram vários tipos de chocolate, aprenderam a descrever sabores, texturas e aparências, utilizando uma ficha de adjetivos criada para a atividade. Aprenderam a traduzir sensações em palavras, explorando tato, palato e aparência. Esta ficha de adjetivos foi inspirada no projeto Portugal em 7 cores, das colegas e professoras Rute Venâncio e Paula Rodrigues, a quem se agradece a partilha.
Os alunos foram ainda convidados a fazer uma iguaria ou reproduzir em casa, uma receita portuguesa com chocolate, por exemplo: salame de chocolate.
A experiência contou com a presença do Sr. Cônsul de Zurique na Suíça, Gonçalo Motta e Joana Teixeira, responsável pelas atividades culturais do Consulado, que, juntamente com a professora Andrea Martins Alexandre e os seus alunos, partilharam e experienciaram este momento especial.
A aula terminou com uma pequena peça de teatro sobre o chocolate, apresentada em três cenas. As cenas foram anunciadas pelas tradicionais “três pancadinhas de Molière”, que romperam o silêncio inicial e marcaram o ritmo da representação, conduzindo o público até ao aplauso final, caloroso e entusiasta.
Ainda houve tempo para o júri selecionar a melhor resposta à pergunta: Como foi a experiência? Justifica.
A resposta vencedora obedeceu a critérios rigorosos de classificação, que passaram pela semântica, sintaxe, léxico, ortografia e originalidade, sendo a frase vencedora: “Eu adorei esta aula com muito chocolate. Eu adorei todos os chocolates, menos os amargos. A melhor aula que já tive.”, do aluno Kevin Gonçalves, do 4.ºano. Parabéns Kevin!
Foi, sem dúvida, uma aula diferente — um roteiro sensorial, cultural, geográfico, histórico e linguístico em prol da aprendizagem.
Deixamos um agradecimento especial ao Sr. Cônsul de Zurique, Gonçalo Motta, pela amabilidade de proporcionar aos alunos esta experiência inesquecível com a aquisição dos chocolates de São Tomé e Príncipe. Aliás, o adjetivo “inesquecível” foi diversas vezes utilizado pelos alunos na descrição desta “Aula no Museu”.
Também à Senhora Coordenadora do EPE Suíça, Lurdes Gonçalves, pela motivação e entusiasmo demonstrados desde a apresentação do projeto. Agradecimentos ainda aos pais que acompanharam a atividade, cuja participação é sempre fundamental para o sucesso destas iniciativas. Reportagem em: www.epesuica.ch
A todos muito obrigada!
Bem hajam!
Andrea Martins Alexandre
Professora CEPE Suíça –Grisões e Glarona





