Andreia Cerqueira, vive em Marin-Epagnier, Neuchâtel, chegou à Suíça em março de 2023, acompanhando o marido, que tinha recebido uma proposta de trabalho.
A mudança não fazia parte dos seus planos: em Portugal, ambos tinham empregos estáveis e uma vida profissional consolidada. Ainda assim, a “possibilidade de garantir um futuro diferente para a família acabou por pesar mais do que tudo o resto”, referiu Andreia ao Gazeta Lusófona.
A adaptação do filho foi um dos aspetos mais positivos desta transição. A integração na escola decorreu de forma natural, muito graças à presença de colegas portugueses na turma, que facilitaram tanto a aprendizagem da nova língua como a adaptação a uma realidade completamente diferente. Para os pais, essa facilidade trouxe tranquilidade e confiança no caminho escolhido.
Para Andreia, o início da vida profissional na Suíça foi emocionalmente exigente. Em maio começou a trabalhar numa empresa de limpeza de escritórios, uma mudança significativa para quem, em Portugal, tinha trabalhado em ambiente administrativo como coordenadora. Embora reconheça a dignidade de qualquer profissão, admite que sentiu claramente que tinha capacidade para mais e que queria evoluir rapidamente.
Foi essa vontade que a levou a investir em formação. Realizou cursos de francês online e um curso de visual merchandising, com o objetivo de regressar ao setor do comércio, área onde já tinha experiência e que lhe parecia um caminho mais alinhado com o seu percurso.
A escrita, porém, sempre ocupou um lugar central na sua vida. Em Portugal publicou dois livros, um de poesia e um romance, e vê na “escrita uma forma de expressão, de reflexão e de ligação aos outros”, disse-nos.
Com um mestrado em Som e Imagem, com especialização em escrita para cinema, televisão e publicidade, sentia que não queria perder o vínculo à sua área de formação, mesmo vivendo fora de Portugal.
Foi nesse contexto que surgiu a ligação à Gazeta Lusófona. Decidiu contactar a publicação e apresentar os seus serviços, dando início a uma colaboração que lhe permitiu continuar a escrever e a divulgar histórias da comunidade emigrante portuguesa.
A viragem profissional chegou em fevereiro de 2024, quando conseguiu o seu primeiro emprego numa loja de venda ao público. A partir daí, novas oportunidades foram surgindo e, atualmente, desempenha funções de gerente numa empresa multinacional bem conhecida. O percurso, sublinha, “foi construído com esforço, resiliência e muita vontade de evoluir”.
Apesar das conquistas, admite que ainda não alcançou totalmente a realização profissional que procura. A presença na Suíça e a distância da família reforçam a necessidade de sentir que o seu trabalho é reconhecido, não apenas a nível económico, mas também pessoal e profissional.
Para o futuro, Andreia prevê um papel mais dinâmico no Gazeta Lusófona. Quer ouvir e dar voz a quem deseja partilhar a sua história de vida e destacar empreendedores portugueses que criaram oportunidades e que podem inspirar outros emigrantes em busca de um futuro melhor.
Adélio Amaro





