O evento reúne, durante quatro dias, artistas e investigadores provenientes de França, Luxemburgo, Portugal e Suíça, cujas trajetórias e vivências pessoais e/ou familiares são marcadas pela migração.
De 3 a 6 de abril de 2025, os Jardins do Bombarda, em Lisboa, são palco de um evento único que irá divulgar trabalhos artísticos e científicos sobre migrações portuguesas na Europa. Essas obras são o ponto de partida para uma reflexão mais ampla sobre as dinâmicas migratórias contemporâneas, meio século após a transição democrática em Portugal.
Pensado como um espaço de diálogo entre a literatura, a banda desenhada, o cinema, as artes visuais, os media e as ciências sociais (antropologia, geografia, história e sociologia), o festival “A Arte de Ser Migrante” é um evento que, de quinta a domingo, oferece ao público a oportunidade de assistir a debates, projeções e exposições. Além disso, quem por ali passar será desafiado a colaborar ativamente nalgumas atividades, tais como uma exposição colaborativa sobre os objetos da migração, um atelier de escrita, uma instalação de bordados e a construção de um mural sobre o futuro da diáspora. Também haverá uma sessão de histórias e contos para o público infantil, uma mostra de livros, um baile popular e um espetáculo de stand-up.
Cada momento do festival será uma oportunidade para mergulhar nas memórias e experiências pessoais e coletivas das migrações e desafiar preconceitos. Livros, filmes, fotografias, música e objetos são um pretexto para promover um debate alargado sobre migrações em Portugal e na Europa, no passado, presente e futuro.
O festival „A Arte de Ser Migrante“ é, assim, muito mais do que um evento – é um tributo às pessoas migrantes e um convite à reflexão sobre os desafios e as riquezas que as múltiplas circulações de migrantes e seus descendentes trazem para as sociedades.
Participam três artistas suíço-portugueses: a jornalista e escritora Charlotte Frossard, autora do romance “Sur le pont” largamente inspirado na história dos seus avós portugueses, que estiveram envolvidos na resistência a Salazar e se exilaram na Suíça na década de 1960; o fotógrafo Pedro Rodrigues que cresceu em Saas-Fee e incorpora no seu trabalho artístico as suas origens, abordando temas como as mudanças climáticas nos Alpes e as condições de trabalho dos portugueses na indústria hoteleira; e a atriz e música Virginie Janelas, que criou um espetáculo a solo no qual aborda a emigração e a história recente de Portugal antes e depois de 1974, “Não tenho remédio para o vento”.
A programação será divulgada do mês de março nas redes sociais, Instagram e Facebook. Siga-nos em https://linktr.ee/FestivalAArtedeSerMigrante
Liliana Azevedo e Amandine Desille
Organizadoras do festival