Aos 49 anos de idade, a empresária Claudinha Ferreira é uma referência na Suíça no ramo de “educadoras de unhas”, utilizando “várias técnicas de extensão de unhas”. Vive em Genebra.
Decidiu investir nesse país europeu para levar a sua experiência a um mercado ainda pouco explorado.
“Por mais que a Suíça seja um país de primeiro mundo, o mercado das unhas ainda é precário, em relação a boas profissionais, boas técnicas e bons produtos. Acredito que com a minha experiência, posso contribuir para esse crescimento”, disse Claudinha Ferreira, que revela que “recebi um convite de uma empresa para vir ministrar formações e também represento uma marca norte-americana de produtos de unhas, que está presente em 142 países. Vivo aqui há três anos”.
Na sua opinião, a Suíça significa “um país de oportunidades e desafios”.
“A vida na Suíça não é fácil, como muitas pessoas de outros países imaginam, mas sempre corri atrás dos meus objetivos, estou sempre perto de boas pessoas e tento aproveitar o que essa vida tem de melhor, assim torna-se prazeroso”, frisou.
Esta empresária, que tem apostado em formações de extensões de unhas e palestras sobre o tema, conta com uma unidade de beleza, um salão, no Brasil com 40 profissionais, que está hoje a ser gerido pela sua filha mais velha.
Em solo helvético, Claudinha Ferreira orgulha-se por conviver com diversas comunidades estrangeiras, incluindo o público lusófono, como a comunidade portuguesa e a brasileira.
“É muito mais do que ensinar técnicas de unhas. Através do meu trabalho, transformo vidas, ajudando pessoas a conquistarem uma profissão, independência financeira e flexibilidade de tempo. O que eu ensino vai além das unhas. É sobre dar às pessoas uma nova oportunidade, um novo começo e a confiança para seguirem os seus próprios caminhos. Ver as minhas alunas evoluindo, montando os seus espaços e mudando as suas histórias é a maior realização que o meu trabalho poderia me proporcionar”, comentou Claudinha Ferreira, que explicou que decidiu investir no ramo da estética, pois “o mercado de unhas não é mais como antigamente, que era uma profissão de gente que não sabe o que quer, e que não precisa estudar”.
“É uma área que está crescendo muito, está mais competitiva, há novas tecnologias, novas técnicas, novos produtos. E hoje tem profissionais de unhas que ganham mais do que outras pessoas que tem graduação. Eu mesma tive alunas de diversas profissões que exigem graduação e que decidiram entrar no mundo das unhas. Então, é um mercado apaixonante, desafiador e que possibilita liberdade financeira”, defendeu esta empresária, que atua no ramo há 23 anos.
Claudinha Ferreira avalia esse mercado na Suíça como “desafiador”, mas, que, na sua visão, “precisa evoluir muito, e, com a minha experiência e força de vontade, quero contribuir para esse crescimento, e como fiz e faço no Brasil, que é ver as minhas alunas prosperando, comprando casas, carro, viajando, tendo uma vida próspera e dando qualidade de vida para a sua família”.
Claudinha Ferreira sublinha que o perfil das clientes que atende é diversificado.
“Para formações, a maioria são mulheres de 25 a 55 anos, que não têm ou que já têm uma profissão, mas não estão satisfeitas e buscam novas experiências mais prazerosas, que possibilitam uma flexibilidade de horário e liberdade financeira. E uma pequena percentagem de homens que estão começando a entrar no mundo das unhas”, disse.
Quando perguntada se empreender no é difícil, Claudinha Ferreira é enfática.
“Sim, aqui tem uma cultura de que é melhor trabalhar numa empresa, ter uma estabilidade financeira, do que arriscar e abrir o seu próprio negócio. As leis, os custos altos, mas, enfim, nunca será fácil, se fosse fácil, seria para toda a gente”, adicionou ao enumerar os desafios que tem encontrado.
“Há muitos, mas o que percebo mais é que tem algumas profissionais que fez um curso há muitos anos e não se atualizam, não investem em formações, outra é que aqui existe uma cultura de que os pais incentivam e falam para os filhos de que é melhor trabalhar em bancos, hospitais, lojas de luxos, ter um salário fixo e estabilidade do que investir na área das unhas, que hoje é possível ganhar mais do que em outras profissões mais valorizadas”, afirmou.
Sobre o futuro, Claudinha Ferreira espera poder levar o seu conhecimento técnico para muitas pessoas e países.
“Quero contar a minha história de superação. No passado, usei drogas por 20 anos, sofri violência doméstica do meu ex-marido, perdi o meu pai num acidente de trânsito, saí de uma situação de pobreza, e, hoje, sou empresária, educadora internacional e tenho liberdade financeira. Enfim, sou uma pessoa que tinha tudo para dar errado, mas, graças a Deus, dei a volta por cima e estou crescendo a cada dia”, recordou esta empresária, natural do Estado de Mato Grosso, no Brasil.
Como força motriz para novas mudanças, Portugal está no seu radar de investimentos, através de um projeto que “já está em andamento” e que tem como foco “uma academia internacional de unhas”, além de outra iniciativa que ainda não pode revelar, “mas que elevará ainda mais o mercado das unhas em Portugal”.
E que mensagem deixa para quem quer decidir empreender na Suíça?
“Tenha coragem, não desista, não será fácil, mas vale a pena, e o bom é que as profissionais de unhas podem trabalhar em salões de beleza ou abrir o seu próprio negócio. Existe um leque de oportunidades”, finalizou Claudinha Ferreira.
Ígor Lopes