Uma sexta-feira, com o seu abraço morno e a promessa de descanso, desdobra-se em tons de laranja e púrpura no horizonte. O crepúsculo, que se insinua preguiçosamente, marca o fim de mais uma semana de labuta, de rotinas e de prazos apertados.
Mas para um grupo de amigos, este não é apenas o prenúncio do fim de semana; é o sinal para um ritual sagrado, uma catarse coletiva que se repete, invariavelmente, com a chegada do fim de tarde.
Nos balneários, o burburinho é uma sinfonia familiar. Cada peça do equipamento de futebol amador é mais do que um simples acessório; é um elo, uma ponte entre o homem que cumpriu as suas obrigações semanais e o atleta que anseia por libertar a energia acumulada.
As conversas fluem, descontraídas e cheias de camaradagem. Música. Histórias da semana de trabalho são partilhadas, anedotas são contadas, e as preocupações do dia a dia são, por momentos, deixadas à porta do campo. Ali, naquele espaço de relva e linhas brancas, todos são iguais. As hierarquias profissionais desvanecem-se, os títulos são esquecidos, e o que importa é apenas a paixão partilhada pelo jogo. É um momento de união, de escape, onde a bola se torna o centro do universo e cada passe, cada drible, cada golo é uma celebração da amizade e da liberdade.
E assim, a sexta-feira, fim de tarde, transforma-se não apenas no fim de uma semana, mas no início de um momento de pura e genuína felicidade.
Esta devia ser a introdução de uma aventura mais dos FC Lusitanos de Payerne.
Falámos com e com, respectivamente vice-presidente da Direcção e treinador.
Começamos por apresentar este clube e as pessoas que fazem parte dos corpos directivos.
A direcção é composta por 6 pessoas, Jorge Freitas é o presidente. eu, Delfim Silva vice-presidente, o tesoureiro é o Sérgio Fernandes, o responsável pela equipa, diretor desportivo, é o João Ferreira. Temos também Gisela Sousa, secretária e a Azinda e a Maria, Barros, vogais. O mandato é de dois anos e esta direção vai no seu primeiro. Achamos que 2 anos de mandato é o ideal, porque é uma ocupação de algum desgaste e sacrifício e porque há que dar espaço a todos que têm ideias diferentes de as poder colocar em prática e fazer evoluir o clube e as nossas actividades. Temos actualmente 30 jogadores inscritos numa faixa etária que vai do 30 aos 52 anos. Contamos com cerca de 130 sócios com quotas pagas, o que nos ajuda nas nossas actividades. O clube ainda não tem campo onde possa treinar e jogar, temos custos para utilizar outros campos, entre outras despesas, que acarreta um custo que pretendemos mitigar proximamente quando podermos ter o apoio da comuna, ou de um clube da região, para usufruirmos dos campos de futebol existentes.
E a equipa técnica?
A equipa equipa técnica é composta pelo António Ribeiro, mais conhecido por Xuxu, pelo seu irmão Manuel Ribeiro e com o Joel Ribeiro,que é Ribeiro mas não irmãos dos outros.
O clube disputa actulamnete o campeonato de + 30 anos Elite do cantão de Vaud, tudo gente rija e jovem.
A classificação não é famosa, andamos por baixo da tabela, mas estamos a recuperar terreno, na 2a volta, que começou recentemente, realizámos 4 jogos e só perdemos um, a “coisa” vai melhorar.
Como bons portugueses, esta malta gosta de futebol, de o jogar também e juntam-se por amor à arte, à camisola e a que mais?
Como disse, paixão por futebol. A malta gosta de estar, de jogar à bola. Isto é tudo gente que já jogou noiutros níveis e são apixonados por futebol, falado, jogado, discutido. São todos sócios do clube, é um requisito obrigatório para fazerem parte, obriga ao compromisso e a uma ligação aos valores que partilhamos: amizade, camaradagem, solidariedade.
Como é gerir um grupo de bons rapazes que se juntam, pelo menos, duas vezes por semana?
Tem os seus prós e contras, mas quem corre por gosto não cansa. É relativamente fácil porque todos entendem o objectivo do clube e querem fazer parte dessa história, De seguida há o outro lado, o sacrifício pessoal, mais familiar, as preocupações e dores de cabeça para encontrar meios de financiamento, aluguer de campos, pagamento dos actos disciplinares, etc. mas é muito gratificante, temos um grupo héterogeneo, desde já pelas vilas de onde vêm, não só de Payerne mas de algumas até distantes, como Bderna, por exemplo, dois são guineenses, um de Cabo Verde e um brasileiro, e de Portugal vai de Trás-os- Montes ao Algarve. Não é obrigatório serem somente jogadores de língua portuguesa, já tivemos suíços e franceses, mas neste momento é só língua de Camões.
Actualmente competem somente neste campeonato mas há persectivas de alargar a outras idades?
Seria, e é, uma ambição que temos mas de muito difícil concretização. Não temos estruturas suficientes para podermos pensar nisso.
O Sr Fernando Morais, o fundador deste clube, criou esta equipa em 2016, equiupa de veteranos e sempre foi assim, não creio que vá mudar. Esta é a história do Lusitanos. Começou por um senhor que trabalhou muito para isto, deu a vida por isto até deixar, pela idade e desgaste, nós assumimos esta brincadeira e estamos a crescer, devagarinho. Fazemos convívios, piqueniques, festas, a malta diverte-se, juntamos os jogadores, famíliae amigos, o que de melhor tem a vida, a sã camaradagem, a alegria de podermos partilhar momentos importantes de união em torno de um grupo, pequeno, mas que representa a grande comunidade portuguesa na Suíça, a resiliência e amor às nossas origens, agora só falta sermoes campeões.
Todos os anos fazemos uma viagem a Portugal, no ano passado foi a Guimarães, um avião por nossa conta, organizamos e onde participamos em torneios e troca de ideias com equipas como nós, é muito divertido e gratificante. Quase a festejar o 10° aniversário temos de preparar algo em grande, uma festa onde, entre outros, teremos a presença do Tim, vocalista dos Xutos e Pontapés, que festeja os seus 50 anos de carreira, esperamos que a comunidade adira em peso a esta celebração. Será a 31 de outubro, por isso guardem a data.
Pelo que assisti hoje, os jogos têm sempre assistência e, como bons latinos que somos, acalorados, sempre a “refilar” com o árbitro.
É, está no sangue. Seja em que jogo for o pessoal vem assistir, principalmente as famílias, as senhoras têm receio que alguém aleije o marido ou namorado (risos). Depois o carácter lusitano, no que diz respeito ao futebol, é quente, daí muitos castigos e cartões, que têm um custo e que vão aumentando conforme o número, uma coisa que temos de rever, mas não é fácil, cada pessoa é diferente e faz parte do futebol. Somos aguerridos e queremos sempre ganhar, por vezes leva a excessos no momento.
O clube tem uma relação muito próxima com o Centro Português de Payerne?
Sim, temos. O CPP tem dado o apoio possível, dentro das suas limitações, masé uma referência para a comunidade, especialmente numa zona do interior como é a nossa, e é muito importante termos esse tipode ligação, para nos dar a conhecer e para conhecermmos e aprendermos. Acho que podemos interagir de maneira positiva e profícua, no presente e principalmente no futuro. Nós gostamos de jogar à bola, treinamos às quartas feiras e jogamos às sextas, todos trabalham, diversas profissões, tudo gente modesta, discreta e humilde que luta pela vida longe de Portugal, tal como tantos outros, juntarmo-nos a uma comunidade como representa o CPP é uma mais valia para todos, pois podemos confraternizar e trocar ideias aproveitando o que de bom está e foi feito, e tentando contribuir para construir algo de positivo para todos. Temos algumas ideias, por exemplo organizar um torneio que pudesse ter equipas de origem portuguesa dos diversos cantões, acho que seria interessante. Além disso, temos os nossos já famosos torneios da sueca! Acho que há mais barulho aí que nos jogos de futebol.
Para terminar, três palavras para descrever tanto a equipa como as pessoas que dela fazem parte. Camaradagem, paixão e espirito de equipa.
Ilídio Morgado





