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Home Esporte

Sete dias na Madeira: Santana, Porto Moniz, Jardim do Mar e Funchal: A melhor maneira de descobrir a Madeira: a pé, percorrendo as levadas e o caminho real

admin by admin
28/05/2026
in Esporte
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Falésias – Levadas – Cascatas – Silva primária – Praias
A Madeira está situada a 973 km de Lisboa, uma pequena ilha de 741 km2, 57 km de cumprimento e 22 km de largura. O melhor período para descobrir Madeira: talvez em abril e outubro. Mas já há muita gente. Uma ilha certamente vítima do seu sucesso.
A Madeira faz-me lembrar em primeiro lugar o aeroporto do Funchal. Batizado em 2017 “Aeroporto Internacional da Madeira Cristiano Ronaldo”, este aeroporto representa na consciência coletiva um aspeto muito importante: a ligação desta ilha paraíso com o continente – Portugal – e o resto do mundo. A catástrofe área do 19 de novembro 1977, antes da ampliação do aeroporto, vitimou 131 pessoas e foi o acidente mais grave da história da aviação portuguesa. O aeroporto da Madeira é um ponto essencial para a vida na Madeira e a sua principal atividade económica, o turismo.
Decidi descobrir a Madeira em 7 caminhadas:

1) Levada do Caldeirão Verde – dia 19 de março (PR 9)
Com chuva, o caminho estava fechado, mesmo assim muita gente não hesitou em andar.
Os principais obstáculos foram a chuva, as cascatas, bem como os túneis, com o risco de bater com a cabeça. Mas o caminho é praticamente plano ao longo da levada e às vezes com vista sobre o mar. Com sol deve ser um paraíso verde.
Distância: 8,7 km (17,4 km ida e volta)
Dificuldade: Médio
Duração: 6h30
Início/Fim: Parque Florestal das Queimadas / Caldeirão do Inferno
Altitude máx./ mín.: 1020 m / 872 m

2) Ponta de São Jorge – dia 20 de março – Ramal do Caminho Real no 23
Não tive sorte com o tempo. Não choveu muito neste dia, mas os caminhos estavam cheios de lama. Andei só alguns quilómetros. O caminho parecia bastante complicado, encharcado de água e vertiginoso, e as pontes de madeira pouco seguras.

Cabo aéreo Café
Pode chegar aqui de carro, mas eu decidi ir a pé, aproveitei uma linda subida e descida com uma vista deslumbrante. Situado no Arco de São Jorge, o miradouro do Cabo Aéreo dispõe de um parque de merendas e de uma vista privilegiada sobre o mar cristalino. Daqui, é ainda possível observar o Calhau de São Jorge, onde se encontra uma recatada praia feita numa pequena lagoa de água doce, e ainda as ruínas integradas no Núcleo Primitivo da freguesia de São Jorge, pertencentes a antigos engenhos de cana-de-açúcar que aqui foram instalados logo no início do processo de povoamento da ilha.

3) Calhau das Achadas da Cruz – dia 21 de março
Uma atracão turística para quem não tem medo de subir num teleférico vertical. Decidi descer e subir a pé. Uma pequena aventura. Já não sabia o caminho exato para subir ao nível da praia. Fui longe de mais e o mar estava a subir. Preso entre o mar e as falésias, a perspetiva não era muito simpática. Mas afinal tudo correu bem, bastou voltar atrás para encontrar o caminho.
O Teleférico das Achadas da Cruz, com uma inclinação de 98% em 600 metros, permite o acesso entre a zona das Achadas da Cruz, no concelho do Porto Moniz, e a pequena praia de Calhau da Fajã da Quebrada Nova. Este meio de transporte oferece excelentes vistas panorâmicas sobre as verdes colinas da freguesia das Achadas da Cruz, vencendo a acentuada inclinação da encosta.
Distância: 4,5 km (9 km ida e volta)
Dificuldade: difícil devido à inclinação
Duração: 4h
Altitude máx./ mín.: 450 m / 6 m

4) Levada do Paul II – dia 22 de março (PR 6.8). Levada do Alecrim – dia 22 de março (PR 6.2)
Caminhada sem subir nem descer por uma vez, foi bom para descansar dos outros dias e abordar o resto da viagem com uma boa energia. Os tons verdes impõem-se, em virtude da densidade característica da floresta Laurissilva, Património Mundial pela UNESCO. Além disso, encontrará aqui alguns túneis de urzes, que oferecem uma envolvência singular à experiência de caminhada.

5) Caminho Real do Paul do Mar – dia 23 de março (PR 19)
A caminhada mais longa e difícil da semana. A descer 550 m, depois a subir de mesmo nível e de seguida caminhar 11 km ao longo duma levada. E com o sol a brilhar às vezes. Recomenda-se. Encontrei pessoas simpáticas, um português que me explicou que havia pescadores que fizeram fortuna e construíram verdadeiros palácios. Explicou-me também que os pescadores falavam espanhol devido às zonas de pescas e aos contactos frequentes com pescadores espanhóis. Ainda me confessou que passou 50 anos na Venezuela e que levou um tiro na cabeça. Agora na Madeira as coisas são mais calmas. Um homem feliz da vida na aldeia de Paul do Mar. Parecia um sobrevivente.
Caminho real do Paul do Mar
Distância: 1,8 km
Dificuldade: Médio
Duração: 1h20
Início/Fim: Prazeres / Paul do Mar
Altitude máx./ mín.: 550 m / 16 m
Levada da Fajã da Ovelha
Fajã da Ovelha até Prazeres
Distância: 11,7 km

6) Cabo Girão e vereda da Ponta de São Lourenço – dia 24 de março
Cabo Girão: um dos sítios mais turísticos da Madeira – 5 euros a entrada para estar em cima dum terraço de vidro e ver o Funchal. E sobretudo ver turistas a mais. Recomenda-se, mas para não ficar muito tempo E não ir à casa de banho. Tudo se paga. Eu disse ao Senhor das casas de banho que ia pagar depois. Ele não aceitou. Para mim era uma brincadeira. Mas vi que não havia muito sentido de humor neste sítio. Com 580 metros de altura, o Cabo Girão é o promontório mais alto da Europa, mas não é apenas por isso que se tem tornado cada vez mais célebre um pouco por todo o mundo. O seu miradouro, com a famosa plataforma suspensa em vidro — denominada skywalk —, é atualmente uma das atrações turísticas mais visitadas (e certamente mais fotografadas) do concelho de Câmara de Lobos e do arquipélago da Madeira.

Vereda da Ponta de São Lourenço – dia 24 de março (PR 8)
Viagem para outro mundo. Uma península muito concorrida. Um estacionamento sempre cheio. Muito vento. Tive que estacionar muito longe e depois encontrei alemães que me deram boleia para voltar. Ofereci chocolate suíço e ficarão todos admirados e riam-se. Não estavam à espera. Caminhar com o mar à sua esquerda e à sua direita, uma terra batida pelos ventos. Mesmo com bastantes pessoas a caminhar, era um sentimento de fim do mundo. Uma terra perdida para se reencontrar com tanta pureza.
Distância: 3 km (6 km ida e volta)
Dificuldade: Médio
Duração: 2h30
Início/Fim: Baía d’Abra / Cais do Sardinha
Altitude máx./ mín.: 126 m / 23 m

7) Pico Ruivo – dia 25 de março (PR 1.2)
Não tive sorte. Queria ver o mar desde o sítio mais alta da Madeira. Mas com o nevoeiro não se via nada. Pelo menos, não havia chuva. Grande confusão no parque de estacionamento mesmo de manhã cedo e houve controlo da parte dum fiscal. Porque na Madeira, tudo se paga, mesmo os caminhos. Pela boa causa talvez: isso limita o número de pessoas e o vandalismo e permite financiar as obras nos caminhos.
As previsões do tempo na Madeira são impossíveis. Pode mudar de repente, sobretudo no período do inverno – dezembro até fevereiro. Gostei da observação do empregado do hotel quando lhe perguntei que tempo ia fazer no dia a seguir. Ele respondeu-me que o tempo dependia da nossa energia positiva. E ele não podia prever nada. Afinal o tempo é dentro de nós. O resto é conversa.
Distância: 2,8 km (5,6 km ida e volta)
Dificuldade: Médio
Duração: 1h30
Início/Fim: Achada do Teixeira / Pico Ruivo
Altitude máx./ mín.: 1862 m / 1592 m

Em cada viagem há sempre um encontro que nos marca mais. Encontro rápido e furtivo, mas que nos deixa um sabor inesquecível com esta empregada de mesa sempre bem-disposta, sempre a rir apesar de muito trabalho e sempre a meter conversa. Perguntei como ela fazia para estar sempre alegre, ela respondeu-me com uma gargalhada “sou paga para isso, para ficar bem disposta”.
Há uma regra muito simples e que se verificou na Madeira, nos sítios menos turísticos as pessoas são mais simpáticas, mas há sempre exceções. No norte da ilha da Madeira como em Santana gostei muito da alegria natural e descontraída das pessoas.
Perto de Santana, na Quinta do Arco, entrei numa pequena loja. A proprietária, uma Senhora de idade, acolheu-me da melhor maneira e explicou que as bananas que ela vendia não eram da sua zona. Porque havia doença e só serviam como moeda de troca. Aconselhou-me uma especialidade, a poncha da Madeira, uma bebida alcoólica composta de Rum da Madeira, de limão de açúcar e de mel. Uma maravilha de Senhora que tinha tempo.

“Torna um cantinho melhor do que o encontraste”
Uma placa na Freguesia dos Prazeres, Calheta, homenageou o médico João Maurício Abreu dos Santos (1906-1969). Foi uma das personalidades mais reconhecidas do Paul do Mar e um prestigiado médico (terminou o curso de Medicina em Coimbra no ano de 1935), presidente da Câmara da Calheta e presidente da comissão concelhia da União Nacional.
Com certeza irei voltar a esta ilha, para ver mais flores.

PS: Ao falar com um empregado de uma empresa de aluguer de carros, ele confessou-me que havia turistas a mais e que mesmo no verão para ir fazer uma grelhada em família, eles não encontravam lugar para estacionar o carro – o grande problema – porque quase todos os turistas alugam um carro. Perguntei, o que fazem então? Ele respondeu-me um pouco conformado “ficamos em casa”. O grande paradoxo: estar no paraíso e ter que ficar atrás da porta.
Texto e fotografias
Clément Puippe, cp@netplus.ch

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