A celebração do Dia Mundial da Língua Portuguesa na Suíça assumiu, este ano, um significado particularmente especial, ao reunir iniciativas que enaltecem a riqueza cultural, literária e humana de uma língua falada por milhões de pessoas em vários continentes.
Num país marcado pela diversidade linguística e pelo diálogo entre culturas, a presença da língua portuguesa afirma-se como ponte de encontro, memória e futuro, unindo famílias, escolas, associações e instituições em torno de um património comum.
Integradas nas comemorações desta data de relevo internacional, diversas atividades decorreram em território suíço, colocando no centro da atenção a leitura, a criação artística e o valor do ensino da língua portuguesa junto das comunidades residentes. Um dos momentos de maior destaque foi a visita da reconhecida escritora Isabel Ricardo, que realizou um périplo por várias cidades suíças, encontrando-se com alunos e docentes de escolas do Curso de Língua Portuguesa.
Ao longo desta itinerância literária, a autora partilhou com os mais jovens o seu universo criativo, o percurso que a conduziu à escrita e a importância dos livros enquanto instrumentos de imaginação, conhecimento e crescimento pessoal. Estas sessões foram momentos de grande proximidade entre autora e leitores, no sentido de despertar nos alunos o gosto pela leitura e reforçar a ligação afetiva à língua portuguesa.
A presença de Isabel Ricardo em contexto escolar representou igualmente uma oportunidade singular para valorizar o trabalho desenvolvido pelos professores e pelas famílias na preservação da língua portuguesa junto das novas gerações. Num contexto migratório, ensinar e aprender português significa também cultivar raízes, fortalecer identidades, preservar memórias familiares e abrir horizontes académicos e profissionais para o futuro.
Para muitos destes alunos, nascidos ou crescidos fora de Portugal, o contacto direto com uma autora portuguesa foi uma experiência marcante. Escutar histórias, fazer perguntas e descobrir os bastidores da criação literária permitiu-lhes sentir a língua como algo vivo, atual e próximo. A literatura tornou-se, deste modo, um espaço de pertença, onde cada criança ou jovem se pôde reconhecer e projetar.
Outro momento de particular relevância teve lugar no dia 6 de maio, na Pestalozzi-Bibliothek, a biblioteca Intercultural de Zurique, espaço de reconhecido mérito na promoção do encontro entre culturas e saberes. Ali decorreu um workshop com dois objetivos principais: 1. celebrar a riqueza e a atratividade de língua portuguesa no discurso de uma profissional de comunicação suíça. Norma Giannetta fala português fluentemente e partilhou o modo como sente e vive a língua portuguesa com os alunos das professoras Ana Teresa Miotti, Catarina Correia, Nicole Gomes e Paula Alegre; 2. Convidar os participantes a registar as suas impressões desta celebração, em língua portuguesa, num livro-objeto, proposta pedagógica e artística que alia literatura, expressão plástica, criatividade e experimentação.
Esta atividade foi conduzida pelas professoras presentes que deram corpo a uma experiência em que o livro ultrapassa a sua forma tradicional para se transformar em objeto artístico, sensorial e narrativo. Através de materiais diversos, da imaginação e da palavra escrita, os participantes foram convidados a reinventar o livro enquanto espaço de descoberta, beleza e liberdade criativa.
O conceito de livro-objeto desperta especial entusiasmo entre crianças e jovens, pois permite tocar, construir, dobrar, ilustrar e contar histórias de forma inovadora. Mais do que ler um texto, os alunos tornam-se autores e criadores, desenvolvendo competências linguísticas, artísticas e colaborativas num ambiente de partilha e entusiasmo.
Ainda no dia 6 de maio, em Berna, os alunos da CEPE Suíça participaram no evento organizado pela Embaixada de Portugal, em pareceria com as embaixadas de Angola e Brasil, com a presença da Chefe das Relações Bilaterais na Divisão Europa, no Departamento Federal dos Assuntos Exteriores da Suíça, Sonja Hürlimann, no evento que celebra o Dia Mundial da Língua Portuguesa e 30º aniversário da CPLP.
Lara Varanda, aluna da professora Raquel Rocha no nível C1, declamou o poema “Genealogias, Impressões e Voos” de Ana Luísa Amaral.
Mais do que assinalar uma efeméride, estas iniciativas testemunham a vitalidade da língua portuguesa na Suíça e o empenho das instituições educativas e culturais que diariamente contribuem para a sua valorização. Celebrar o português significa reconhecer a força de uma língua plural, aberta ao mundo e profundamente enraizada nas histórias de quem a transporta consigo.
Num tempo em que o diálogo intercultural se revela essencial, o Dia Mundial da Língua Portuguesa recorda-nos que cada palavra partilhada aproxima comunidades, derruba fronteiras e constrói pertença. Na Suíça, o português continua, assim, a florescer com elegância, dinamismo e esperança, afirmando-se como herança viva e promessa renovada para as gerações vindouras.
Cláudia Pereira, docente CEPE Suíça
Lurdes Gonçalves, coordenadora CEPE Suíça





