Uma ampla parceria institucional e mediática, envolvendo a Embaixada de Portugal na Suíça, o Consulado-Geral de Portugal em Genebra, o Consulado-Geral de Portugal em Zurique, o jornal Gazeta Lusófona e a Rádio Arremesso, lançou uma campanha solidária destinada a apoiar as populações afetadas pelas devastadoras tempestades provocadas pela depressão Kristin, que atingiram com violência a região Centro de Portugal.
Os danos são extensos: milhares de famílias e empresários viram casas, empresas, estabelecimentos e equipamentos destruídos, e mais de um milhão de pessoas foram direta ou indiretamente afetadas pela intempérie. Em muitos casos, o que levou anos a construir desapareceu em poucas horas.
Perante esta realidade, a comunidade portuguesa na Suíça está a ser chamada a unir esforços e a contribuir através de canais oficiais, garantindo que cada donativo chega de forma segura e transparente às entidades que estão no terreno.
Como ajudar de forma segura
A campanha apela aos portugueses residentes na Suíça para que utilizem exclusivamente os meios oficiais de apoio:
Cruz Vermelha Portuguesa – donativos via Cartão de Crédito ou MB Way através do Portal de Emergência – https://apoiar.cruzvermelha.pt/portugalprecisadesi
Cáritas Portuguesa – donativos por transferência bancária, MB Way ou online (Emergências Nacionais) – https://caritas.pt/donativos-online
Apoio direto aos municípios
As páginas oficiais dos Municípios de Leiria, Marinha Grande, Pombal, Ourém e outros concelhos disponibilizam contas solidárias e informação atualizada sobre necessidades prioritárias.
Apelo à responsabilidade e à união
As entidades envolvidas sublinham a importância de evitar campanhas paralelas ou não verificadas, que podem abrir espaço a burlas. Em momentos de crise, a solidariedade é essencial, mas deve ser acompanhada de prudência.
Materiais de construção
A campanha também apela para donativos de materiais de construção, tai como telhas, tintas, cimento, entre outros. Para tal, devem contatar as Câmaras Municipais. No caso concreto de Leiria, segundo a informação que o presidente da Câmara Municipal, Gonçalo Lopes, deu ao Gazeta Lusófona, os materiais devem ser entregues no Mercado Falcão.
Este é mais um momento em que a união pode fazer a diferença, reconstruindo vidas, negócios e comunidades inteiras.
Entrevista solidária
Maria Leonor Penalva Esteves, cônsul-geral de Portugal em Genebra, integrou uma edição especial solidária promovida pela Rádio Arremesso, naquela cidade suíça. A iniciativa reuniu várias figuras da comunidade portuguesa, num formato de entrevista alargada dedicado ao associativismo e à presença lusa na região.
Além da representante diplomática, participaram também António Guerra, conselheiro das Comunidades Portuguesas, Miguel Ferreira, da Casa do Benfica de Genebra, Pedro Machado, presidente da Rádio Arremesso, e Adélio Amaro, diretor do jornal Gazeta Lusófona e residente em Leiria.
Leonor Esteves apelou à mobilização de toda a comunidade portuguesa na Suíça, sublinhando a necessidade de apoiar as populações afetadas por esta catástrofe em Portugal. Embora tenha destacado a situação particularmente grave nos concelhos de Leiria, Marinha Grande, Ourém e Pombal, fez questão de frisar que não pretende hierarquizar prioridades entre os quase 70 municípios atingidos e já abrangidos pela situação de calamidade emitida pelo Governo português.
A cônsul Leonor Esteves reforçou o apelo para que os cidadãos acompanhem exclusivamente as informações divulgadas nas páginas oficiais dos Consulados de Genebra e Zurique, bem como da Embaixa-da de Portugal em Berna, onde são atualizadas as orientações sobre as formas de apoio solidário às regiões afetadas.
A cônsul-geral em Genebra sublinhou que, em articulação com o Consulado de Zurique, a Embaixada em Berna e com o conhecimento do Ministério dos Negócios Estrangeiros, todas estas entidades permanecem disponíveis para prestar esclarecimentos. No caso de Genebra, o contacto pode ser feito através do e-mail consulado.genebra@mne.pt ou do número de emergência +41 79 324 25 05.
Leonor Esteves deixou ainda um apelo firme à mobilização da comunidade: “Trata-se de um exercício de solidariedade humana e de consciência coletiva. O que aconteceu em Portugal poderia ter atingido qualquer um de nós. É nosso dever patriótico, humano e solidário apoiar aqueles que viram os seus bens destruídos. O apoio pode ser com contributos financeiros, de bens essenciais ou de materiais de construção”.
Miguel Ferreira, representante da Casa do Benfica de Genebra e natural da região de Pombal, relatou as enormes dificuldades em contactar familiares e conhecidos nos concelhos de Pombal e Leiria. Explicou que, devido à falta de eletricidade e de comunicações, muitos habitantes de zonas rurais do distrito de Leiria são obrigados a percorrer dezenas de quilómetros apenas para conseguir fazer um telefonema. Sublinhou, ainda, a urgência de apoiar as populações mais isoladas, onde a ajuda tarda a chegar.
António Guerra, conselheiro das Comunidades Portuguesas, lançou igualmente um apelo à comunidade portuguesa na Suíça, referindo a urgência de mobilizar apoios para o “nosso país, que sofreu esta catástrofe”. O responsável pediu uma resposta solidária que permita “reconstruir o que foi destruído e apoiar todas as pessoas que perderam os seus bens”.
Já Adélio Amaro, diretor do Gazeta Lusófona, que acompanhou toda a situação no terreno, uma vez que se encontrava em Leiria, onde reside, descreveu em detalhe o que se vivia no concelho e nos municípios vizinhos. Sublinhou tratar-se de “uma catástrofe sem precedentes em Portugal”, pelo nível de destruição e pela rapidez com que os acontecimentos se sucederam. O seu relato, marcado pela urgência e pela proximidade aos acontecimentos, tem sido amplamente difundido pelos órgãos de comunicação social, que o têm utilizado para contextualizar a dimensão dos estragos. Vários testemunhos de autarcas, membros do Governo, empresários e habitantes diretamente afetados reforçam a gravidade da situação que atinge os concelhos mais devastados.





