O Gabinete Federal para a Igualdade entre Mulheres e Homens (GFI), na Suíça, lançou uma nova campanha nacional de prevenção destinada a combater a violência doméstica, sexualizada e baseada no género. A iniciativa, de grande alcance público, pretende intervir logo nas fases iniciais do problema, atuando sobre os desequilíbrios de poder e as normas discriminatórias que frequentemente estão na origem de comportamentos violentos.
Segundo o GFI, a campanha assenta em três eixos principais: sensibilizar para os primeiros sinais de violência, incentivar a falar abertamente sobre o tema e informar sobre os serviços de apoio disponíveis. A mensagem central sublinha que a violência raramente começa com agressões físicas. Muitas vezes manifesta‑se em comentários, atitudes e situações quotidianas, tanto no espaço privado como em locais públicos, que passam despercebidos ou são normalizados.
Nesta primeira fase, o objetivo é encorajar as pessoas afetadas a ouvirem os seus próprios sinais de alerta e a levarem a sério as suas preocupações antes que a violência escale. A campanha pretende ainda quebrar o silêncio que frequentemente envolve estes casos, promovendo a procura de ajuda e o acesso a estruturas de aconselhamento.
Nova rubrica no Gazeta Lusófona: “Tema”
No âmbito desta iniciativa e da relevância crescente do debate público sobre violência de género, o Gazeta Lusófona estreia nesta edição uma nova rubrica mensal: “Tema”. Em cada número, será lançada uma questão aos leitores, convidando‑os a refletir e a participar ativamente na discussão.
Para esta primeira edição, a pergunta colocada é direta e desafiante:
“Que transformações concretas espera que esta iniciativa provoque no comportamento da sociedade, nomeadamente no aumento das denúncias formais junto das autoridades?”
O Gabinete Federal para a Igualdade entre Mulheres e Homens, na Suíça, lançou uma campanha nacional de prevenção contra a violência doméstica, sexualizada e baseada no género. Que transformações concretas espera que esta iniciativa provoque no comportamento da sociedade, nomeadamente no aumento das denúncias formais junto das autoridades?
Como terapeuta, espero que esta campanha rompa o pacto do silêncio. Informação clara devolve lucidez, reduz culpa e medo, e legitima a denúncia. Quando a violência é nomeada como estrutural, a sociedade deixa de normalizá-la.
Andrea Francomano
Tão importante como as campanhas, importantíssimas, e medidas preventivas, o tronco da questão passa pelas mudanças de mentalidade social, enquanto a sociedade estiver a crescer no ódio e na violência gratuita, penso que a violência doméstica tenderá a aumentar, uma tragédia social sem fim à vista.
5 aspetos onde podemos fazer a diferença:
1 Não julgue!; 2 Acreditar sempre no que a mulher está contando; 3 É pra meter a colher, sim!; 4 Ajude a encaminhar para uma solução; 5 Estude sobre o tema!
Ilídio Morgado, Genebra
As transformações concretas esperadas na sociedade podem passar pela redução da normalização da violência, educando a população sobre tema; aumento na procura de apoio e denúncias, facilitando a utilização de canais oficiais, ajudando as vítimas a estarem mais confiantes percebendo que existe um suporte seguro; melhor utilização dos serviços de apoio, fortalecendo a confiança das vítimas de que as instituições podem responder adequadamente.
Susana Teixeira, Schwyz
Espera-se que esta campanha aumente a consciencialização da população, incentive a identificação precoce da violência e reduza o medo de denunciar. Aliada à criação de leis com penas mais rígidas, poderá reforçar a responsabilização dos agressores, fortalecer a confiança das vítimas no sistema judicial e contribuir para o aumento das denúncias formais.
Georgeana Dutra de Sá, Bière
Como cidadã a residir na Suíça, considero que a campanha nacional lançada pelo Gabinete Federal para a Igualdade entre Mulheres e Homens representa um passo essencial para transformar a forma como a sociedade encara a violência doméstica, sexualizada e baseada no género. Espero, antes de mais, que esta iniciativa leve a um aumento das denúncias formais junto das autoridades, porque muitas vítimas ainda hesitam em procurar ajuda por medo, vergonha ou desconhecimento dos seus direitos. Ao tornar o tema mais visível no espaço público e ao divulgar de forma clara os canais de apoio disponíveis, acredito que mais mulheres — e também mais homens e jovens — se sentirão encorajados a dar o primeiro passo para sair de situações de violência. Para além disso, espero que a campanha contribua para uma maior responsabilização dos autores, mostrando que a violência tem consequências reais e que existe apoio específico para quem quer mudar comportamentos. Finalmente, acredito que esta iniciativa pode promover uma mudança cultural mais profunda, incentivando as pessoas a reconhecer sinais de risco, a intervir de forma mais ativa e a abandonar a ideia de que a violência doméstica é um assunto privado. No conjunto, espero que esta campanha ajude a criar uma sociedade mais informada, mais solidária e menos tolerante face a qualquer forma de violência.
Andreia Cerqueira
Marin-Epagnier, Neuchâtel
Gostaria de elogiar a coragem e a clareza com que este tema foi abordado neste artigo. Se todos nós fizéssemos a nossa parte, em vez de virarmos as costas à violência do outro, o mundo seria um local mais pacífico e justo. Parabéns pela excelente abordagem. Como mulher sinto-me feliz e mais confiante.
Sandra Weber
São campanhas como esta que podem ajudar a mudanças visíveis no comportamento da sociedade, sobretudo no modo como a violência é discutida e denunciada. Ao colocar o foco nos sinais precoces, aqueles que antecedem a agressão física, a iniciativa pretende quebrar a normalização de comportamentos abusivos e incentivar uma reação mais rápida por parte das vítimas, das famílias e da comunidade. Uma das transformações mais relevantes poderá ser o aumento das denúncias formais junto das autoridades. Quando as pessoas compreendem que a violência começa muito antes das agressões físicas, tornam‑se mais propensas a identificar situações de risco e a procurar ajuda numa fase inicial. Acho que esta campanha, ao informar sobre serviços de apoio e ao legitimar o ato de pedir ajuda, ajuda a reduzir o medo, a vergonha e o isolamento que tantas vezes impedem a denúncia.
Anónimo, Berna





