Há iniciativas que começam de forma simples e acabam por ganhar um significado maior do que aquele que inicialmente se imaginou. Foi o que aconteceu com esta iniciativa solidária de Natal, desenvolvida com os alunos dos cursos de Língua e Cultura Portuguesas de Nyon, dos níveis B1, B2 e C1, e que teve como destino o Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa.
O trabalho foi realizado em sala de aula, no âmbito das atividades de Natal e da Educação para a Cidadania, a partir de uma reflexão sobre o verdadeiro sentido desta época. Falou-se de empatia, de atenção ao outro e do valor dos gestos simples, sobretudo quando são feitos com intenção. A criação e a escrita dos postais surgiram desse momento de partilha, como uma forma concreta de transformar reflexão em ação.
Os alunos envolveram-se de forma muito consciente ao longo de todo o processo. Uns com mais jeito do que outros, naturalmente, mas todos trabalharam com uma atenção rara, conscientes de que as suas produções e as suas palavras poderiam chegar a alguém num momento de maior fragilidade. Essa consciência marcou a forma como cada postal foi criado. Houve tempo, cuidado e uma vontade genuína de fazer bem, na esperança de que, do outro lado, aquele gesto pudesse suscitar um sorriso.
Desde o primeiro contacto, o IPO de Lisboa acolheu a proposta com grande abertura e entusiasmo. A articulação foi feita com o Gabinete de Comunicação da instituição, através da Dra. Carla Caixinha, que acompanhou todo o processo e ajudou a ajustar a iniciativa às necessidades identificadas. Foi também neste diálogo que surgiu a possibilidade de alargar a ação aos cuidadores, através da oferta de pequenos kits, valorizando quem cuida diariamente.
As famílias dos alunos associaram-se de forma extremamente generosa, contribuindo com a doação de cerca de 100 kits, constituídos por chá, chocolate, creme de mãos e bálsamo para os lábios, destinados aos cuidadores, pequenos mimos para quem mima. O resultado final superou as expectativas iniciais: foram produzidos 300 postais, todos diferentes entre si, mas unidos pelo mesmo sentido, chegar aos doentes e aos profissionais de saúde como um gesto de proximidade, atenção e afeto.
Mais do que os números, fica o significado da experiência vivida. Para os alunos, foi uma oportunidade de perceber que a palavra escrita pode ter impacto real e que a escola também é um lugar onde se aprende a olhar para o outro. Para todos os envolvidos, foi a confirmação de que, quando nos unimos em torno de um propósito comum, conseguimos criar algo verdadeiramente significativo.
Num tempo em que o Natal é tantas vezes associado ao consumo, esta iniciativa lembrou que a essência desta quadra festiva continua a estar na partilha, na presença e na humanidade dos gestos. Talvez seja esse, afinal, o Natal que mais falta faz: um Natal feito de palavras e gestos que cuidam.
Teresa Silva, Docente CEPE-Suíça





