Paulo Gonçalves, 49 anos, é casado e pai de três filhos. Licenciado em Economia pela Universidade Autónoma de Lisboa, complementou a sua formação com uma Pós Graduação em Gestão de Empresas no ISCTE, em Lisboa.
Integra o Grupo Nabeiro desde fevereiro de 1999, percurso ao longo do qual acumulou uma experiência transversal em várias áreas estratégicas da organização, pelos departamentos administrativo e financeiro, pela gestão processual e logística, pelos sistemas de informação com projeto de rádio frequência e ainda auditoria interna, consolidando uma visão global do funcionamento do Grupo.
Ao longo da sua carreira, esteve igualmente envolvido na abertura e desenvolvimento de três filiais europeias, localizadas em França, Luxemburgo e Suíça, contribuindo para a expansão internacional da empresa.
Em 2024, a Novadelta Suíça adquiriu a distribuidora AMD Swiss, consolidando a sua rede de distribuição e aproximando-se dos consumidores locais. Como diretor-geral da Novadelta Suíça, depois de conquistar o mercado português na Suíça, qual a sua opinião sobre a importância do mercado suíço para o grupo Delta?
A nossa Visão Grupo Nabeiro é atingir o Top-10 dos Torrefactores a nível Mundial. Estamos na 21ª posição pelo que todos os mercados internacionais são importantes para o nosso crescimento. A Suíça é um mercado Europeu evoluído, estável e uma montra internacional, daí a nossa aposta.
A nossa visão Suíça é de sermos o “player” relevante para a promoção dos Produtos Portugueses na Suíça, destacando o ADN Café e depois a distribuição e representação de alimentos e bebidas – marcas próprias GN e marcas representadas.
Como os suíços estão a aderir ao café Delta, assim como os produtos portugueses que a Novadelta tem no mercado?
A qualidade dos nossos produtos Café é inequivoca em termos de “provas cega”, onde obtemos sempre bons resultados. Nas prospeções de café que efetuamos, temos sempre um retorno positivo da qualidade do produto – qualidade grão, torra e “assemblage” das diferentes origens de café.
Representamos produtos de elevada qualidade, mormente as marcas líderes nas suas áreas de negócio em Portugal.
Que passos foram dados recentemente para reforçar a presença da marca em terras helvéticas, tendo em conta a forte concorrência local e internacional?
Pessoas, processos e sistemas. Queremos ganhar em eficiência e produtividade.
Os investimentos na notoriedade de marca e presença em eventos como o Venoge Festival (Café Oficial) e Semana Nacional Gastronomia Suíça (Marca Café Parceira).
A sustentabilidade é um tema central na Suíça. Que iniciativas a Delta está a implementar para responder às expectativas do consumidor suíço?
O Grupo Nabeiro foca na sustentabilidade através da economia circular (reciclagem de fardas em mantas, valorização de borras de café), energia verde (100% renovável na fábrica Novadelta, LED), produção biológica (certificações Rainforest Alliance, UTZ) e responsabilidade social, reforçando comunidades produtoras e sendo líder ESG em Portugal, conciliando rentabilidade com impacto ambiental e social positivo. Tem como estratégias chave a Economia Circular na transformação de resíduos têxteis em produtos úteis (mantas) e valorização de borras de café, a Energia Limpa com o uso exclusivo de fontes renováveis nas suas instalações e otimização de processos com LED, a Cadeia de Valor Sustentável com foco em parcerias que promovam boas práticas ambientais e sociais, desde a produção do café, a Certificações através da adoção de padrões como Rainforest Alliance e orgânico para garantir sustentabilidade, a Liderança ESG através do reconhecido como líder em critérios ambientais, sociais e de governança em Portugal, refletindo um compromisso abrangente e de Impacto Social com o apoio às comunidades produtoras de café e criação de riqueza partilhada, não apenas doações.
Consegue descrever exemplos práticos?
Sim. As cápsulas de café biodegradáveis e orgânicas (EQO), o projeto de reciclagem de uniformes descontinuados em parceria com a To Be Green e a fábrica Novadelta com 100% de energia verde.
O Grupo Nabeiro vê a sustentabilidade como um pilar central do negócio, essencial para a rentabilidade e para o desenvolvimento a longo prazo, integrando-a em toda a sua cadeia de valor e operações.
Além do café que produtos são comercializados na Suíça?
Comercializamos 29 categorias de produtos (e dezenas de subcategorias) divididos em alimentar e bebidas. Destacamos respectivamente o azeite, conservas (vegetais, peixe e carne), congelados, ingredientes básicos (arroz, massas, batata), aperitivos (azeitonas), e no caso das bebidas as cervejas, vinhos, espirituosos, sumos e refrigerantes, entre outros.
A Suíça é um país multicultural. A Delta adapta produtos a diferentes comunidades ou mantém uma linha uniforme?
A Estratégia é global mas adaptada às especificidades de cada geografia. A internacionalização das empresas não é uma ciência exacta.
A Suíça faz parte do projeto europeu do Grupo Nabeiro?
Sim. A filial tem 10 anos e teve um crescimento relevante nesse período, acompanhando o ritmo mais elevado do negócio do grupo no exterior de Portugal. O GN tem operações diretas em Espanha, França e Luxemburgo, e uma presença importante no negócio de cápsulas café na Polónia.
Existem parcerias com associações, clubes ou eventos portugueses na Suíça?
O nosso objetivo é trabalhar para o mercado em geral, tendo obviamente uma ligação cultural e emocional muito forte junto dos 270 mil portugueses residentes.
Temos parcerias de networking como a AELS – Assoc. Empresários Luso Suíços, comerciais com associações e clubes em várias zonas do país (ex. Centro Portugues Payerne, Casas do Benfica, entre outros) e estamos presentes em eventos com publicidade e apoio em produto. Destaco um evento anual da associação “Portugal em Movimento”, o qual temos apoiado nas últimas edições.
Como é a vossa ligação com as entidades que representam Portugal na Suíça?
Temos cultivado boas e proximas relações com a Embaixada e os Consulados, assim como o AICEP. Estas entidades podem promover a diplomacia económica e nós empresas promover a Marca Portugal.
Terminou o seu mandato na filial Suíça no passado dia 31 de dezembro, passados dez anos. Qual o balanço que faz?
Foi uma década muito estimulante, com o crescimento do negócio café e diversificação em “Food” e “Beverage”.
Tive o prazer de trabalhar com uma equipa dedicada e de bons profissionais, que permitiu, com as condições do Grupo, termos um significativo crescimento.
Assumo uma nova posição no Grupo, agora com a responsabilidade dos distribuidores europeus.
O sucessor tem uma elevada experiência internacional e no seio do Grupo Nabeiro, mantendo-se a visão e o ritmo de crescimento do negócio.
Adélio Amaro




